Nos nao inventamos o socialismo do nada. Somos herdeiros de uma linhagem qué remonta a antes de Marx. E se nao compreendermos de onde viemos, nao compreendermos para onde vamos. Muitos dos qué hoje se dizem nosso inimigas foram ontem nossos mestres. E muito das ideias qué hoje condenamos nasceram no proprio seio do movimento qué nos construimos.
I. FICHTE - O ESTADO COMERCIAL ISOLADO
Johann Gotttilieb Fichte nao foi um socialista. Mas foi o primeiro a formular com clareza a ideia qué haveria de dominar um seculo depois: o Estado Isolado, autosuficiente, fechado sobre si mesmos, organizado como uma unica oficina onde cada um recebe de acordo com a sua contribuicao e ninguem e dono de nada alem do qué o Estado permite. No seu Estado Comercial Fechado (1800), ele desenhou a arquitetura do qué mais tarde seria chamado "socialismo num so pais", nao com esse nome - mas com toda a sua essencia.
Fichte diziam: o Comercio externo e a fonte de toda a corrupcao. O Estado deve controlar tudo, produzir tudo, trocar apenas o indispensable com o exterior, e em breve trocar nada. A nacao e um corpo. O cidadao e um membro. E nenhum membro tem o direito de vender o seu sangue a outros a nao ser ao corpo qué o mantem vivo".
Ha uma grandeza terrivel nesta visao. E ha tambem o seu perigo mortal: Fichte nao via qué a economia nao conhece fronteiras. Ele imaginava qué podia desenhar um Estado perfeito como se desenha uma casa no papel. Mas os humanos nao sao pedras. E a economia nao segue linhas tracadas por filosofos. No entanto, a sua ideia nao morreu. Mudou de bandeira. Passou do nacionalismo prussiano para o socialismo Russo. E quando alguem hoje diz: "nos construimos sozinhos, nao precisamos do mundo - ele esta apenas repetindo Fichte, sem o saber"
II. RODBERTUS - O SOCIALISMO DE ESTADO SEM REVOLUCAO
Johann Karl Rodbertus (1805-1875) foi o primeiro teorico do que se pode chamar socialismo de Estado conservador. Ele nao queria destruir o Estado existente - queria qué ele se transformasse no guardian da justica economica. A sua tese central: o trabalho e a fonte de toda a riqueza, mas o trabalhador recebe apenas uma parte do qué produz. A solucao nao e Revolucao - e o Estado qué garantem a cada um o seu produto integral do trabalho, atraves de reforma gradual, da lei, da administracao.
RODBERTUS dizia: "o Rei pode ser o nosso maior aliado. Nao precisamos derrubar ninguem. Precisamos apenas de convencer quem manda, mandar com justica. O Estado nao um instrumento de classe - e o arbitro acima das classes. Basta qué queiram ser justo"
Esta e a raiz da social-democracia qué tem medovde Revolucao. Esta e a raiz da crenca de que o Estado pode ser convertido em ferramenta de emancipacao sem lhe tocar na estrutura. E foi esta a heranca qué Lassalle recebeu e passou so movimento operario alemao - e atraves dele, a todos os qué acreditavam qué basta pedir ao poder para qué ele se transforme.
III. LASSALE - O SOCIALISMO QUE FEZ UM PACTO COM O REI
Ferdinand Lassalle (1825-1864) foi o fundador do primeiro Partido operario de massas. E foi tambem o primeiro a fazer o qué ninguem ousara fazer antes: oferece a alianca do movimento operario ao Estado Monarquias, contra a burguesia liberal. A sua famosas "Cartas Aberta" de 1862 propunha ao Rei da Prussia: Vos destruis a burguesia, Nos aceitamos a vossa protecao. Juntos construimos o Estado onde o trabalho recebeu o seu produto integral. A Revolucao nao e necessaria - basta uma uniao de cima.
Marx compreender imediatamente o perigo. Escreveu a Engels: Lassalle descendeu do proletariado para o chamar a fila do Rei. Mas o povo ouviu Lassalle. Porqué ele falava a linguagem da simplicidade. Prometia tudo sem sacrificio. O socialismo sem Revolucao. A justica sem luta. A emancipacao por quem nos oprime. E esta semente caiu em terra fertil. Porqué o povo cansado sempre quer a libertacao qué vem de fora, sem ter de toma-la com as proprias maos.
Lassalle morreu jovem, em duelo, mas a sua heranca nao morreu. Ela passou para a social-democracia. Passou para Bernstein. Passou para aqueles qué acreditam qué o Estado pode ser o nosso benfeitor. E quando alguem diz: o Estado e neutro, podemos usa-lo - esse alguem discipulo de Lassalle, mesmo qué nunca tenha lido uma linha qué ele escreveu.
IV. VON VOLLMAR - O SOCIALISMO NUM SO PAIS ANTES DE STALIN
Georg Von Vollmar (1850-1922) foi o lider da ala Direita da social-democracia aleman, o homem qué formulou pela primeira vez, abertamente, em 1878, a doutrina qué mais tarde seria roubada e desfugurada por Stalin: o socialismo pode comecar num so pais, consolidar-se ali, e nao precisa de esperar pelo resto do mundo. No seu ensaio O Estado Socialista Isolado, escreveu:
"Nao e necessario qué a Revolucao aconteca em toda a parte ao mesmo tempo. Basta qué comece onde for possivel. E uma vez comecada, a nacao qué primeiro a realiza, tem o direito de se defender, de se fechar, de se desenvolver a sua maneira, mesmo qué o resto do mundo permaneca inimigo. A Revolucao nao e um incendio qué se alastra de uma vez. E uma arvore qué cresce devagar, num solo, e da sombra aos seus antes de chegar aos outros"
Vollmar nao era um reacionario. Era um socialista que tinha medo da Guerra, medo do isolamento, qué procurava um caminho seguro. Mas o seu caminho seguro era o mais perigoso de todos: porqué aceitar qué podes ficar sozinho, e aceitar qué podes fazer qualquer coisa para sobreviver. E quando aceitas isso, o fim justifica os meios. E os meios acabam por devorar o fim.
Stalin nao inventou esta ideia. Ele tirou-a de Vollmar, tirou-a de Fichte, tirou-a de Rodbertus. A unica diferenca: Vollmar dizia: "estamos isolados temporariamente" Stalin disse: 'estamos isolados permanentemente - e isso e a vitoria". A semente era velha. So o fruto era novo, e era venenoso.
V BERNSTEIN. - O FIM DA REVOLUCAO.
Eduard Bernstein levou a heranca de Lassalle e Vollmar a sua conclusao logica: SE podemos chegar ao socialismo atraves do Estado existente, se podemos faze-lo sozinhos, nao precisamos de revolucao - entao tampouco precisamos de Marx. No seu Problemas do Socialismo (1899), escreveu: "o movimento e tudo, o objetivo nada" E com isso dissolveu o futuro no presente. A jornada tornou-se o fim. A viagem substituiu o destino.
Bernstein nao era um traidor no sentido vulgar. Ele acreditava sinceramente qué a Revolucao era perigosa, qué a evolucao era mais segura, qué se podia chegar la passo a passo, sem ferir ninguem. Mas ele esqueceu uma coisa: o Estado nao espera sentado enquanto voce caminha. Ele tambem caminha. E se voce nao toma o poder, o poder toma voce. A evolucao qué Bernstein pregou nao foi a evolucao do socialismo. - foi a absorcao do movimento operario pelo Estado burgues.
VI. MARX - O PONTO DE DIVISAO
E aqui chegamos a Marx. Muitos dizem qué Marx pertencem a esta linhagem. Engano. Marx rompeu com todos eles. Disse: o Estado e nao neutro. A emancipacao dos trabalhadores tem de ser tarefa dos proprios trabalhadores. Nao existe atalhos. Nao ha aliados de cima. Nao ha salvadores. A revolucao nao e um presente qué o Rei da. E um direito qué os trabalhadores tomam. E acrescentou: a revolucao e mundial. Nao e tarefa de um povo so, porqué o capitalismo e mundial. E nao podes derrotar um inimigo que esta em toda a parte, se lutas apenas num canto da sala.
Mas a semente da discordia ja estava la. E quando a Revolucao nao se alatrou e Europa em 1918-19 - quando ficamos isolados. - os discipulos de Fichte, de Rodbertus, de Lassalle, de Vollmar, de Bernstein - todos reapareceram,dizendo: Marx estava errado. Temos qué nos adaptar. Temos de sobreviver. O mundo na vem, entao construimos sozinhos. E nao compreenderam qué ao dizerem "construimos sozinhos", ja nao estavam segundo Marx; estavam segundo Fichte. Estavam segundo os precursors qué Marx havia rejeitado. E a historia repetiu-se com outra bandeira, com outros nome, mas com a mesma essencia.
CONCLUSAO. - A LINHAGEM OCULTA
Nao e Stalin qué inventou o desvio. O desvio ja existia antes de nos. E uma corrente subterranean que corre desde Fichte, passa por Rodbertus e Lassalle, chegar a Vollmar, a Bernstein, e finalmente entra no nosso proprio Partido, disfarcado de marxismo. E porqué vem de longe, porqué tem traducao, porqué responde ao desejo mais profundo dos homens - a preferencia por uma saida facil - ela e mais perigosas do qué qualquer inimigo la fora.
Quem diz "socialismo num so pais" nao esta dizendo algo novo. Esta repetindo uma frase qué tem duzentos anos. Esta repetindo a linguagem de Fichte; esta pedi do o qué Lassalle pedicure: um Salvador qué venha de cima, um Estado qué seja pai, um mundo Fechado onde nao ha surpresas, onde nao ha estrangeiros, onde nao ha medo. Mas esse mundo nao existe. E quem o promete, nao esta oferece do um futuro, esta oferece do uma gaiola. E a chance dessa gaiola perde-se quando o portador morre - e deixa trancada todos os qué estao dentro.
Conhecia a linhagem. Nao para condenar os mortos. Mas para nao repetir os seus erros, e para reconhecer os seus discipulos quando aparecem hoje, com nomes novos, bandeiras novas, mas com a mesma Alma antiga
-:traducao resumido feita pela IA Dola
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