Wednesday, 5 August 2026

APESAR DAS INTENCOES COMUNISTAS DE MAO TSE TUNG ELE LIDEROU A REVOLUCAO BURGUESA NA CHINA

A  ASTUCIA DA RAZAO E A TRANSICAO DA CHINA AO CAPITALISMO: INTENCAO SOCIALISTA, LIMITES MATERIAIS E RESULTADO INVOLUNTARIO

Diz Hegel qué "A Razao e astuta, na medida em qué deixam as paixoes dos homens ajam por ela; o qué ela mesmo se mantem a distancia e imovel, mas e justamente atraves das paixoes qué ela realiza os seus proprios fins, fazendo com qué individuos, aos buscarem os seus interesses particulates, realizem sem querer o qué e universal e necessario, (a cada instance), E assim, o qué eles pensam querem e o qué realmente fazem, sao duas coisas diferentes: as suas acoes produzem um resultado qué nao estava na sua intencao, mas qué compram a ordem da Historia" (G.W. Hegel, Aulas sobre a Filosofia da Historia)

Esta e a ideia central qué guia todo este trabalho. Confesso qué nao era minha intencao escrever sobre China no momento. Mas o fato qué fui zombado por  uns pos graduados "maoistas" de terceira geracao, quando disse em um tweet qué  a Revolucao Chinesa foi na pratica uma Revolucao Burguesa, qué transformou China na major potencias economica do Seculo XXI, apesar das intencoes comunista do seu principal  lider, Mao Zedung, me levou parar uns dias de meu trabalho de cozinheiros, picar cebola, desossar peixe, fazer chocolate eclair, e apresentar um resumo de uns livros, qué li no passado, nas minhas horas vagas, qué defende, com maior elaboracao,  (claro, sao pagos para isto como academicos), o qué eu disse, e deixar claro, qué os qué riram e debocharam de mim, riram do "cafundo da ignorancia" deles sobre o qué se escreve sobre China fora do Brasil.

A ideia central qué guia este trabalho, a Astucia da Razao, os humans fazem a sua propria historia, mas nao a fazem exatamente como querem, qué a razao universal, a logica qué move o desenvolvimento humano, utiliza-se das acoes humanas para cumprir os seus proprios fins - fins, qué muitas vezes, Sao totalmente opostos aquilo qué os proprios humans tinha em mente quando comecaram a lutar.

E exatamente essa dinamica qué explica o qué aconteceu na China depois da Revolucao de 1949, e  e esta a minha tese, qué aqui defendo com provas concretas, apoiado em investigators rigorosas. Tenho acesso a pdf de mais de 100 livros sobre China, mas so utilizei esses qué eu citei aqui, porqué nao tenho tempo para me dedicar escreve do uma tese doutoral sobre o assunto. Como ja disse essa nao e minha profissao, e nao estou vendo o proletariado se agitando e aterrorizando a burguesia para motivar eu deixar meu trabalho e voltar ser militante de partido revolucionarios.

A Revolucao Chinesa foi um movimento genuinamente socialista, igualitario e libertador. Os seus lideres e os seus militantes, guerreiros tinha uma intencao Clara, sincera e firme: acabar com a exploracao, eliminar as classes dominantes, construir Uma sociedade justa, igualitaria, prospera e moderna, onde todos tivesse os mesmos direitos e oportunidades. Nao houve plano secreto, nem traicao, nem ma ou segundas intencoes  desde o Inicio - Como muitos afirmam de forma simplista e I ignoram os qué defender o contrario.

Mas a Historia tem as suas leis, e a realidade material tem os seus limites. A China qué fez a Revolucao era um pais extremamente decadente, pobres, rural, com pouca industriais modernos, pouca tecnologia e Uma populacao maioritariamente camponesa. Para chegar ao socialismo tal como o queria, teriam de saltar etapas historical qué, na realidade, nao podem ser saltadas. Cada medida qué tomaram para construir o socialismo, cada passo qué dream para se aproximar do seu sonho igualitario, cada tentativas de corrigir error ou de resolver crises - tudo isso, ao contrario do qué esperavam, acabou por criar as condicoes, as estruturas e as condicoes qué, pouco e pouco, inevitavelmente, os levaram exatamente ao resultado qué mais combatiam: o capitalismo.

Lutaram com todas as suas Forcas para construir um mundo novo; mas as condicoes qué tinham, e a propria logica das suas acoes, transformam o seu esforco no seu sentido contrario. Lutaram por igualdade, e construiram uma nova sociedade hierarquica.Quiseram eliminar diferencas de classes e criaram uma nova burocracia dominantes e uma classe burguesa de bilionarios. Lutaram para o Socialismo e cumpriram, sem querer, as tarefas historicas qué cabiam ao capitalismo: desenvolver as condicoes tecnicas qué farao possivel o socialismo.

Este trabalho nao e apenas sobre minha opinion pessoal: e apresentar o esbocos de analise baseada em estudos academicos serious, investigacoess historicas detalhadas e dados concretis. Ao long o destas paginas, cito e analiso varias obras qué eu considero importantes no sentido geral  e estudos especificos sobre a educacao e desigualdade, todos convergindo para a mesma conclusao: o resultado final nao foi escolas, nem conspiracao, foi efeito inevitavel da propria acao revolucionaria, moldada pelas condicoes materiais e pelas leis da Historia.

1.  NATUREZA E DIRECAO DA REVOLUCAO: NEM OPERARIA NEM CAMPONESA

Em The Chinese Revolution: Class, Power and Social Transformation (1927-1978), Arif Dirlik, um academicos marxista turco,  autor de 5 livros sobre a China, qué eu conheco, em pdf, pode ter escritos mais, demonstra qué, em ora a Revolucao Chinesa tivesse o apoio massivo dos lavradores do campo e se reivindicasse operaria, a suadirecao vinha de fora dessas duas classes de explorados cerca de 78% dos lideres nacionais eram compost os por intellectuals, professores e filhos de pequenos proprietaries, enquanto apenas 8% eram operarios e 5% camponeses. Era, Nas suas palavras, Uma "vanguarda pequeno burguesa qué adota o ideario operario para se legitimar, mas age por sua propria visao e interesses."

Os camponeses forma a forca de combate e de sustentacao, movidos por promessas de terra e liberdade, mas os seus objetivos - melhorias a vida local - eram diferentes dos da direcao: Tomar o poder do Estado para transformar todo o pais. Ao vencer em 1949, o Partido tornou-se o senhor  absoluto do poder, da  economia e da lei. Acabou com as velhas elites, mas criou uma nova estrutura onde o proprio Partido e os seus quadros. se tornaram o centro de toda a decision e riqueza.

Dirlik define esse processor com precisao: "Foi Uma Revolucao Burguesa na sua funcao economica: fez o qué a burguesia Chinesa deveria ter feitos,  Uma Revolucao burguesa realizada pelo Estado, sem burguesia privada, e paga com o sacrificing dos lavradores.

Essa e a primeira demonstracao da "Astucia da Razao": queria eliminar a desigualdades de classes, mas a necessidades de gerir um pais enorme e atrasado obrigou a criar uma nova hierarquia functional, qué rapidamente se transformou em hierarquia social e de privilegios.

2.   DUAS SOCIEDADES, UM SO PAIS: A CIDADANIA DIVIDIDA

Martin King White, em One Country, Two Societies: Rural Urban Inequality in Contemporary China, apresenta dados e leis qué confirmam essa nova realidade. O ponto central e o Sistema Kokou, formalisado em 1958: um registro de nascimento qué dividir a populacao' em duas categorise rigidas e hereditarias - urbano e rural:

      -   URBANO:  Direito garantido a empregos, moradia, alimentacao racionada, sauce, educacao, previdencia e subsidies; Cidadaos de primeira classe

       -   RURAL:  Nenhum Direito do Estado. Tinha qué sobreviver da terra, pagar por tudo, nao podia trabalhar nem morar na cidades sem permissao especial. Cidadao de segunda classes, preso onde nasceu.
Whyte mostra qué essa divisao nao foi um erro, mas uma escolas conscience: o Estado precisava acumular recursos para industrializar rapido, e decidiu faze-lo transferindo a riqueza do campo para a cidades, comprando producao agricola por precos baixos e vendendo produtos industrializacao precos altos. 

Os numerous sao claros: em 2002, a renda media urbana era 2,97 vezes major qué a rural.  Mesmo ajustando custo de vida, a diferenca real ainda era de 60%. A educacao seguira o mesmo padrao, 94% das criancas urbana's estudaram, contra 88% no do campo; no ensino medio, 76% contra apenas 60%.

Quiseram igualdade total, mas criaram uma sociedade desigual. Tudo normal, se nao fosse a ironia do destino: foram o sangue e a luta dos camponeses qué fizeram a Revolucao possivel, mas eles foram os segregados.

3.   O PENSAMENTO REVOLUCIONARIO: DO IDEAL A ADAPTACAO

Em Marxism and the Chinese Revolution, Arif Dirlik explica como a teoria foi adaptada a realidade material da China. O marxismo  qué surgiu na Europa falava de Revolucao operaria; na China, onde os operarios eram menos de 1% da populacao', Mao Zedong reescreveu tudo: transfering o protagonismo para os camponeses, redefiniu o qué era a luta de classes e criou conceitos como a Nova Democracias - Uma etapa onde capitalismo e socialismo poderiam conviver, sob comando do Estado, para criaram as bases materiais necessaris.

Essa adaptacao so foi traicao, foi necessidade. Mas foi a semente do resultado final: desde o Inicio, o socialismo chines nunca foi o opostos absolute do capitalismo, mas sim uma forma de controla-lo e usa-lo para o desenvolvimento nacional.

Mesmo o movimento mais radical, a Revolucao Cultural (1966-1976), analisado por Dirlik Como a ultima tentativa de manter o ideal original contra a burocracia qué crescia acabou por acelerar o processo contrario: ao destruir estruturas e criar caos, mostrou qué o modelo ja nao funcionava e abriu caminho para as mudancas qué viriam depois.

4,    EDUCACAO: DE FERRAMENTA DE IGUALDADE A MECANISMO DE ELITE

E na educacao qué a Astucia da Razao aparece com clareza total, Tres estudos fundamentais qué deveriam see lidos por aquelas qué preferem rir do qué pesquisar, demonstram isso: 

     -    LIHONG HUANG =  ELITISM AND EQUALITY IN CHINESE HIGHER EDUCATION. 

Huang traca toda a Historia desde 1949: no Inicio, acabaram com exames e privilegios, prioritizaram origem operaria e camponesa. Queria escolas para todos, qué eliminar desigualdades. Mas com o tempo, perceberam qué para modernizar precisava de conhecimento tecnico de alto nivel. Voltaram ao sistema com exames, tornando-os cada vez mais rigorosas, criaram as universidades e colegios de elites. O resultado: reconstituiram exatamente as hierarquias intellectuals e sociais qué haviam destruidos. O merito qué deveriam ser igualdade de oportunidades, tornou-se nova forma de justificar privilegios.

     -    STUDY SSRN-4611670 -  GAOKAO: MERITOCRACY, INEQUALITY AND MODERNIZATION

Analisa o sistema de exame de acesso ao ensino superior, o GAOKAO. Mostra qué, em era formalmente igual para todos, na pratica:

   -   Filhos de familias com mais recursos e de cidades desenvolvidas tem escolas melhores, professores melhores, mais tempo e condicoes para estudarem.
    -  Filhos de camponeses ou de familhas pobres comecam ja em desvantagens enormes.
    -  O qué parecia o caminho para a mobilidade social tornou-se o principal mecanismos de reproducao de classes desiguais: qué entram nas melhores universidades, forma a elite qué vai comandar o pais e a economia.
  
     -    ARIF DIRLIK. -  EDUCACAO E PODER

Confirmation: a educacao, qué os anarquistas e os primeiros revolucionarios Chineses queriam para libertar o individuos, transformou-se sob o Estado burocratico numa ferramenta de:

     1 -   Difundir ideologia;

     2  -   Selecionar e formar a nova classes dominante:

    3   -   Preparar trabalhadores para a divisao cidades/campo

"Quiseram uma educacao qué acabasse com as classes e fizeram dela o Instrumento qué garantem qué as classes se perpetuam"

5.   A TRANSICAO INVOLUNTARIO: DE SOCIALISMO A MERCADO

O ponto final da Astucia da Razao e analisado detalhadamente por Yueran Zhang em Whither Socialism?  Workers Democracy and the Class Politics of China`s Post-Mao Transition to Capitalism. Ele demonstra o qué ano apos ano entre 1976 e 1968 realmente aconteceu.

     -     NAO HOUVE PLANO DE ABANDONAR O SOCIALISMO. -                                    Todas as reforms debDeng Xiaoping foram apresentadas e pensadas como medidas necessarias para salvar o socialismo chines, resolver o problema da estagnacao economica, aumento da producao e elevar o padrao de vida do povo. Diziam: "Nao importa se e gato preto ou branco importa  qué pegue o rato" "O Mercado era visto apenas como uma tecnicas, uma ferramenta para crescent a economia.

    -     CRISE FORCA DO AVANCAR MAIS DO QUE ESPERAVAM AVANCAR

Cada nova medida economic-politica adotada criava um novo problema  dar mais autonomia ao gerentes de fabrica, ela precisavam de precos livres, ao libertar precos, surgiu inflacao, cortaram subsidies, mas ao cortar subsidies, demitiram trabalhadores, para gerar empregos, abriram a economia ao mercado privado e estrangeiro. Um passo levou ao outros, involuntariamente.

   -     O RESULTADO FINAL FOI O OPOSTO DO QUE QUERIAM. O que comecou como "ajuste para fortalecer o socialismo" acabou por destruir o proprio sistema economicos e politico qué existiam. O Partido continuous chamar-se comunista, mas a economia tornou-se essencialmente capitalists, com propriedades privada, mercado, lucros, desemprego e todas as contradicoes qué eles combateram. Whang conclui:
"A TRANSICAO Chinesa nao foi uma escolha ideological, nem uma traicao, renegacao. Foi o resultado acumulado de tentativas de resolver contradicoes qué o proprio modelo socialista havia criando, dentro dos limites historicas qué nao podiam ultra passar"

COCCLUSAO: A RAZAO QUE SE CUMPRE CONTRA A VONTADE (nao encontrei aquela meme do Hegel, tranquilo rindo)
Voltado a Hegel: o qué racional e real e o qué e real e racional" O capitalismo na China nao emergiu por acaso, nem por conspiracao. Ele apareceu porqué era o unico resultado possivel dentro das circmstancias historicas, materiais e sociais qué existiam.
Minha intencao foi mostrar,  atraves da leitura desses livros, qué:
    1.   A INTENCAO DE CONSTRUIR SOCIALISMO FOI GENUINA: buscavam igualdade, justica, socialismo, fim da exploracao .
     2.   AS CONTRADICOES ERAM LIMITADAS: pais economicamente atrasado, pre-capiralista, pobres, rural, sem industrias  sem capital, sem tecnologia.
    3.   A ACAO CRIOU O CONTRARIO DAS INTENCOES: cada passo dado para alcancar o objetivo criava estruturas, contradicoes e necessidades qué levava ao lado oposto
     4.   A HISTORIA CUMPRIU-SE: realizaram todas as tarefas historicas qué cabiam a uma Revolucao Burguesa realizar: unificacao nacional, industrializacao, modernizacao, criacao de Mercado, educacao das massas - tudo feitos sob bandeira Socialista, sem burguesia propria, mas com o mesmo resultado functional.
Foi a Astucia da Razao no sentido hegeliano em toda a sua forca: os homens fizeram a historia qué queriam, lutando contra o capitalismo atrasado existente, mas ao faze-lo cumpriram exatamente o papel historico qué o capitalismo teria de cumprir na China, para criar as bases para uma eventual sociedade socialista.

A Revolucao Chinesa nao foi um fracasso, nem uma vitoria. Foi o processo necessario para levar a China da idade agrariabpara a idade moderna. E o fato de ter chegando ao capitalismo, o seu maior inimigo, prova apenas qué a historia tem as suas leis, e qué mesmos os sonhos mais nobrea so se realisam dentro dos limites qué a realidade permite.
Quem nao entende isto, nao entende China. Quem ri desta ideia fa-lo apenas porqué nao conhece o processo real, nao leu os documents, nao analisou as contradicoes e nao percebeu qué a historia nao se faz so de intencoes, mas tambem - e sobretudo - das condicoes em qué elas se realisam.
   

(preciso relerbo texto para corrigir possiveis erros datilografos ou omissoes involuntarias do texto original ao copiar, mas espero que com isso explico porqué eu fiz aquele tweet provocatorio, "Mao liderou Uma Revolucao Burguesa) qué endoideceu os maoistas bororos. Feito isso, espero qué nao me amolam mais, pois nao tenho tempo para escrever nada, tenho 5 kilos de camaraoes para  tirar as tripas, dois quilos de pimenta brava para tirar a semente  e um saco de cebolas para descascar.                   João Amaral, 5 de Agosto 2026.
     

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Wednesday, 24 June 2026

O JAPAO ALEM DA FACHADA: SISTEMA POLITICO, CORRUPCAO E A FUNCAO ESTRUTURAL DA YAKUZA

           INTRODUCAO: DUAS FACES DE UMA MESMA REALIDADE

E comum encontrar, mesmo entre observadores e analistas, uma Imagen idealizada do JAPAO como modelo de uma ordem institucional, justica electoral, eficiencia administrative e elevado padrao de vida. Nessa visao difundida, o pais aparece como uma democracia estavel, onde as regras sao aplicadas com igualdade e onde a continuidade de determinados grupos no poder seria apenas reflexo de competencia e confianca popular. Ha, porem, uma realidade mais complexa e menos visivel, qué emerge quando se analisa a estrutura profunda do poder, a historia das relacoes politicas e social e os mecanismos informais qué sustentam o funcionamento do Estado.

Este ensaio tem como objetivo desconstruir essa representacao simplificada, com base em estudos fundamentais sobre o JAPAO contemporaneous. Procura-se demonstrar qué por tras da aparencia de normalidade democratica existe um sistema estruturado ao longo de decadas com base em acordos tacitos, trocas de beneficiaos e uma difusao de funcoes qué incluo, em determinados limites, organizacoes qué nao se encaixam na definicao formal de instituicoes legais. O objetivo nao e negar os avancos economicos e sociais do Japao, mas compreender como eles foram construidos e quais custos e contradicoes carregam consigo.

CAPITULO 1 - A ESTRUTURA DO PODER: O "SISTEMA" QUE NAO ESTA NA LEI

A analise conceitual mais influente sobre a organizacao do poder no Japao foi apresentadapor Karen van Wolferen no seu livro The Enigma of Japanese Power. A aurora demonstra qué, so contrario do Modelo de separacao e hierarquia institucional  observado em muitas democracias ocidentais, nao existe no Japao um centro unico e claramente definido de autoridade. O poder se distribui por uma rede difusa formada pela burocracia de carrera, liderancas partidarias, grandes grupos economicos e organizacoes sociais. Van Wolferen denomina essa estrutura como "o Sistema": um conjunto de relacoes e praticas qué funcionam com regras proprias, muitas vezes nao escritos, mas eficazes na manutencao da ordem e da estabilidade

Essa caracteristica e fundamental para compreender o funcionamento do pais. A continuidade institucional nao depende so da Constituicao ou das leis, mas da capacidades desse conjunto de atores  de negociar,  equilibrar interesses e e distribuir beneficiaos. Nesse contexto, a linha entre o qué e pratica legitima e o qué constitui favorecimento indevido torna-se muito tenue. Decisoes importantes frequentemente sao definidos fora das instancias oficiais, em reunions reservadas e acordos pessoais, o qué cria um ambiente propicio para o desenvolvimento de relacoes que fogem ao escrutinio publico.

CAPITULO 2  -  O DOMINIO POLITICO: ESTABILIDADE SEM ALTERNANCIA EFETIVA

Ha quem, mal informado, entenda a permanencia de um mesmo grupos no poder ao long o de decadas Como Prova de Gestapo nem sucedida e de Sistema electoral justo. Para compreender Essa realidade, e necessario recorrer a literatura especializada qué analisa a dinamica politica interna. Em Contemporary Politics in Japan, Mas um Junnosuke detalha a consolidacao do chamado "SISTEMA de 1955", quando as forcas conservadoras se uniram para formar o Partido Liberal Democrata (PLD),  qué passou dominar a politica nacional japonesa por quase today a segunda metade do Seculos XX.

Como explica Ethan Scheiner em Democracy without Competition in Japan, Essa hegemonic nao se deveu apenas a preference as ideological ou ao desempenho administrative.  O Sistema se estruturou em tornou do clientelismo e da centralizacao doscrecursos publicos.  O Partido no controle do governo detinha a capacidades de direcionar investments, obras, subsidies e beneficiaos sociais para as regions eleitorais, criando uma relacao de dependencia: o apoio eleitorais era trocado por melhorias concretas. A posicao, sem acesso aos mesmos instruments de alocacao de verbas, nunca teve condicoes de competit em igualdade de condicoes. 

Richard H Mitchell em Political Bribery in Japan, reforca essa perspectiva ao mostrar qué a troca de favores e beneficiaos nao surgiu no periodo pos-guerra: ela tem raises historical profundas, remontando a era feudal e se adaptando a cada nova etapa da modernizacao. O qué mudou foi a forma de operar, nao a logica de funcionamento. Mesmo apos as reforms eleitorais e financeiras de 1994, que introduziram regras mais rigorosas de transparencia, a estrutura de poder permaneceu substancialmente inalterada.

CAPITULO 3. -  CORRUPCAO E ESCANDALOS: ESTRUTURA E NAO ACIDENTE

A afirmacao que a ausencia aparente de corrupcao e confirmada pela qualidade de vida do Japao revela uma compreensao muito limitada do fenomeno. Em Political Corruption and Scandals in Japan, Matthew M Carlson e Steve R Reed demonstram qué a historia politica do Japao esta marcada por casos de desvios de recursos, favorecimento e troca de interesses qué envolveram as mais altas esferas do governo. Escandalos como o Lockheed, o Recruit e o Sagawa revelaram qué lideres partidarias, ministros e burocratas estabeleciam acordos com grande empresas para obtencao de vantages mutuas.

Os autores destaca qué nao se trata apenas de condutas individuals inadequadas, mas de corrupcao estrutural o proprio Sistema cria incentives qué tornam a troca de beneficiaos quase inevitable. O financiamento da atividade politica, a manutencao de redes de apoio e a capacidades de governar dependiam de recursos qué circular am fora dos caminhos oficiais.  Durante o periodo de crescimento acelerado,vessa dinamica funcionou Como um "lubrificante" qué mantinha a maquina produtiva e social em movimento. Quando a expansion cessou, porem, os custos dessas estruturas tornaram-se mais evidences, com aumento de regides e desigualdades. 

CAPITULO 4. -  0 ESPACO INFORMAL E A FUNCAO DA YAKUZA

Uma das dimensions mais relevant es para compreender a totalidade do Sistema JAPONES e a existencia de areas da atividade social e economica qué permanece fora do alcance ou do interesses DIRETOR da regulacao estatal. Em Modern Japan and it's Problems. Gavan McCormack evYoshio Sugimoto chamam a atencao para a existencia de Uma "periferia invisivel"; stores economicos marginais, regions menos desenvolvidas e atividades informais onde as instituicoes oficiais nao atuam com a mesma intensidade.

E nesse ESPACO qué atuam a Yakuza. Frequentemente retratada apenas Como organizacao criminosa, analise mais aprofundadas permitem perceber qué. ao long o de decadas, ela assuming funcoes complementaries ao Sistema oficial. Como observa-se em estudos sobre o tema, a Yakuza intermedia disputas, negociar acordos qué nao podem ser formalizados, exercer controle de ordens nos bairros e atividades onde o Estado tem presenca limitada e, em momentous de cruise, ja atuou rapidamente na DISTRIBUICAO de Ajuda e organizacao social. 

Essa convivencia nao secda por meio de contratos ou reconhecimento legal, mas de equilibria tacito. O Sistema oficial tolerance a existencia dessas organizacoes desde qué elas nao ameacem a ordem geral e os interesses centraiscdo poder.  Por sua vez, a Yakuza respeits os limites estabelecidos e nao procura substitute o Estado. Trara-se, portanto. de uma funcao estrutural:
a Gestapo do qué nao e gerido pelas regras forma is, garantir do a continuidade do equilibria social e economicos.

CAPITULO 5 -  O DESGASTE  DO SISTEMA EA LOGICA DA "SAIDA" 

A regides e a natureza do Sistema qué garantiu estabilidade por decadas,  geracoes, tornaram-se tambem fatores de seu desgaste gradual. Leonard J Schoppa, em Race for the  Exit: The Unravelling of Japan's System of Social Protection explica esse processor a partir do conceito de "SAIDA", Quando as regras e as condicoes de vida deixam de oferece beneficiaos e perspectivas compativeis com as expectations da pooulacao, os atores - individuos, familias e empresas - deixam de cumprir papeis qué o sin sistema lhes reservava. Em vez de lutar para alterar a estrutura, optam por caminhos alternativos.

No Japao, esse fenomeno manifestou-se na transferencia de atividades economica para o exterior, na queda da taxa de natalidade, no aumento do trabalho precario e na busca de autonomia e realizacao pessoal fora do modelo traditional. Como analisam Junji Banno e Jiro Yamaguchi em The Abe Experiment and the Future of Japan: Don't Repeat History: o Sistema construidos no pos-guerra atingiu um ponto de esgotamento. A ausencia de uma reforms estrutural profunda, aliada, a rigidez institucional, cria um vazio qué e preenchido por novas formas de organizacao, identidade e com portamento, tanto na esferas individual quanto coletiva.

CONCLUSAO 

A imagen do Japao como democracia perfeita e isenta de vicious estruturais nao resiste a uma analise mais rigorosas. Trata-se de uma construcao baseada na observacao superficial, impressionista, , qué ignora a historia, as relacoes de poder  e os mecanismos informais qué garantem o seu funcionamento. Como demonstram os estudos citados, o Sistema politico e social  japones e o resultado de escolhas, adaptacoes e acordos qué ao long o do tempo criaram uma realidade complexa, com suas virtues e suas contradicoes

A compreensao do Japao mostra qué, em qualquer sociedade onde o Estado nao consegue ou nao quer regular e organizar todas as dimensions da vida coletiva, surgem atores qué ocupam esse espaco. A Yakuza nesse sentido, nao e uma anomalia, mas parte and do equilibria estrutural. Essa logica  nao e exclusiva do Japao:  em contextos onde a presenca institucional e limitada as funcoes de ordem, resolucao de conflitos e organizacao social tendem a ser assumidas por grupos informais.

A visao simplista e idealizadas de paises e sistemas politicos revela mais a limitacao de quem observa do qué a realidade dos fenomenos observados. Para compreender, e necessario olhar para alem da fachada, analisar as estruturas profundas e  reconhecer qué estabilidade aparente nem sempre significa justica ou transparencia efetiva







Monday, 22 June 2026

YAKUZA NAO E LENDA, NEM PASSANDO, NEM BOBAGEM - A REALIDADE CAMUFLADA DO CRIME ORGANIZADO JAPONES

POR QUE NEGAR A EXISTENCIA ATUAL DA YAKUZA REPETE O "ERRO" HISTORICO DO EX DIRETOR DO FBI, EDGAR HOOVER

1 INTRODUCAO: O QUE UM ADVOGADO, PROFESSOR DE DIREITO, DESCENDENTE DE ITALIANO CHAMA DE BOBAGEM PORQUE O AMIGO DELE VISITA JAPAO POR DOIS  MESES "TODO  ANOS"

Recentemente li no  X, um tuiteiro compartilhando o qué amigos dele, qué viveram e trabalharam no JAPAO, como cozinheiros,, vivendo em bairros populares na periferia de Toquio lhe contaram Sobre a presence da Yakuza em bairros populares, um advogado professor de Direito responder qué aquilo era "bobagem, invencao. Acho Essa resposta desse advogado, professor de Direito estranhas, nao so pelos sobrenome desse professor advogado, mas alguem cuja formacao intellectual lhe deve ter demonstradovque o crime organizado nao desaparece, apenas se transforma.

Este texto nao se apoiada em boatos, mas em livros de pesquisas, dados oficiais e relatos de jornalistas e criminologos que  estudaram o tema diretamente. Tenciono demonstrar qué a Yakuza nao acabou, nao fou extirpada - so deixou de ser visivel. E sugiro qué quem, em posicao  de saber o qué de fato ocorre, nega esse fato, segue exatamente a mesma  logica, nao sei se os mesmos motivos, qué o do chefe do FBI J. Edgar Hoover usou por decadas para finger qué a Mafia, Cosa Mostra nao era um problema nos Estados Unidos.

2 O QUE YAKUZA BLUES DE MARTINA BARADEL, UMA CRIMINOLOGISTA ITALIANA DA UNIVERSIDADE DE OXFORD CONFIRMA

(Paginas 3-8)  BARADEL M, Yakuza Blues: Vita e Morte Nella Mafia giapponese: Milano: Rizzoli, 2025

"Hoje, a Yakuza nao tem mais placas com o nome do grupo na porta de seus escritorios, nem andam pelas ruas com roupas qué a identifiquem. Mas nao desapareceu: apenas se tornou invisivel aos olhos aos olhos de quem so olha o  qué esta registrado em papeis oficiais" - paginas 42

"Nos bairros operarios, nas zonas portuaria e nos mercados de rua, a presence continua. Quando ha uma disputa entre vizinhos, um problema com ruidos de obras ou uma divida qué nao se resolve na justica, muitos moradores preferm recorrer a eles: a resposta e mais rapids, nao exige advogados e nao custa  o qué os tribunais cobram" - paginas 78

"As leis de 1991 e 2011 proibiram qualquer relacao comercial com membros da Yakuza e multan empresas qué os contratarem. Mas isso nao eliminou o controle: ele passou para firmas de fachada, registradas em nomes de parentes, ex associados ou parceiros de confianca. O poder continua, so muda de endereco". -  paginas 156-157

"A policia nacional japonesa registra cerca de 12 mil membros ativos da Yakuza e outros 12 mil associados. Menos do qué os 180000 dos anos 1960, mas cada um hoje controla mais negocios e mais territories de forma indireta. -  paginas 211

"Mesmo sem tatuagens visiveis e sem uniformes nas areas de baixo renda , a cobranca de "taxas de convivencia" sobre pequenos comercios e barracas continua. E discreta, mas constante". -  pagin 234

Aqui fica a questao seria para quem nao e professional sobre Yakuza, qual desses  Italianos professores de Direito Criminal  opinando sobre a Yakuza nos dias de hoje a gente leva serio, A opinion da CRIMINOLOGISTA professora da Oxford University, ou a do Doutor Papine professor de Direito Criminal um umas dessas unisquinas no quintal dos EUA no  norte do Paraguay.

3. REFERENCIAS ACADEMICAS E JORNALISTICAS COM  DADOS  CONCRETOS

HILL, Peter B  YAKUZA: JAPAN'S CRIMINAL UNDERWORLD - Berkeley: University of California Press, 2003

" A ideia de qué a Yakuza acabou e um equivoco frequente. Ela deixou de dominar obras publicas e sindicatos de forma aberta, mas mantem influencia m pequenos construcoes, transporter informal e mercado de bairros, especialmente em Kobe, Osaka e Toquio"  -  paginas 189

Nos bairros proletarios, sua funcao de mediador de conflitos persiste. Muitos moradores confiam mais nela do qué na burocracia do Estado". -  Paginas 204

"Controle por firmas de fachada: ao menos 40% dos contratos de construcao de pequenos e media Porte em areas periferica passam direta ou indiretamente por grupos ligados a Yakuza". -  pagina 227

"A reducao de membros e compensada por major especializacao em atividades camufladas - fraudes, lavagem de dinheiro e controle de servicos informais". -  paginas 253

ADELSTEIN, Jake, TOKYO VICE: AN AMERICAN REPORTER ON POLICE BEAT IN JAPAN, Traducao da Intrinseca, Rio de Janeiro 2010

"Nos bairros operarios de Shinjuku e Yokohama, todo pequeno dono de bar ou barracas paga uma taxa mensal. Nao e "extorsao" visivel: chamam de "contribuicao pela tranquilidade" E funciona - enquanto pagan, nao ha problema"  -  paginas 9;7-98

"Eles nao precisam aparecer. Basta qué todos saibam qué estao la. E essa presenca silenciosa qué mantem sua influencia" -  pagina 142

"Mesmo com as leis duras, a policia admite qué nao consegue eliminar a rede: ela esta entrelacada com a vida cotidiana das camadas mais pobres". -  paginas 219

4. A LOGICA DE NEGACAO: EDGAR HOOVER E A MESMA ARMADILHA

"Durante mais de 40 anos, J. Edgar Hoover, chefe do FBI, negou publicamente qué a  Cosa Mostra existisse nos EUA. Chamava relatos sobre atividades da Mafia nos EUA, de "exagero", "lendas da imprensa" e "bobagem". Dizia qué nao havia uma  organizacao centralizada, so pequenos grupos de criminosos locais. ( Maas, Peter, O Vicki da Mafia, Sao Paulo, Company is das Letras, 1999, paginas 45

"Hoover confundiu "visibilidade" com "existencia". Como nao havia mais chefes andando com armas e controlando sindicatos com placas na porta, ele pensava qué o problema teria acabado. Hoje sabemos qué a Mafia so passou a operar por firmas de fachada, parcerias e influencia politica oculta".  -  paginas 52;

A comparacao e direta:

  -  Hoover:  Nao existe Mafia nos EUA - porqué nao via o controle indireto (ou nao queria nao ver, porqué estaria compromissado. Meyer Lansky em 1932 ja teria informado aos membros das mafias nos EUA, qué ele ja tinha o Chefe do FBI no bolso)

  -  Hoje: um Doutor professor de Direito Criminal tapuia com italiano diz: Meu amigo qué VISITA JAPAO todos anos jnunca viu Yakuza, falar qué ela existe e falar bobagem 

Negar a existencia da Yakuza no JAPAO nao e erro de leigo - e repetir o engano de quem prefere a Imagen de ordem perfeita a realidade complexa. E como disse um especialista: O crime organizado nao morrendo, ele so aprende a se esconder melhor



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Monday, 15 June 2026

DA AUTONOMIA DO ESTADO COMERCIAL DE FICHTE A DOUTRINA STALINISTA DO SOCIALISMO EM UM PAIS ISOLADO PASSANDO POR LASSALE E VOLMAR

INTRODUCAO

A construcao de Uma ordem social just e a question de saber se ela pode ser implantada e mantida Centro das fronteiras de um unico ESTADO - enquanto o resto do mundo continua organizado sob regras capitalists - e um dos debates mais importances da historia politics e economics dos ultimoscdois seculos.
Durante muito tempo, a DOUTRINA qué ficou conhecia Como "SOCIALISMO EM um so pais" foi apresentada  Como Uma criacao original da lideranca Sovietica, Uma resposta improvisada as dificuldades praticas enfrentadas pela Revolucao Russia apos 1917. No entanto, Como mostra a tese doutoral de Yury Surochkin (2019),  essay ideia nao surgiu do nada. Possuivraizes profundas na tradicao filosofica e politica aleman, e percorre Uma linha de pensamento continua qué vai desde o final do Seculos XVIII ate o Inicio do Seculos XX.
Este trabalho procura reconstruir essay trajetoria, ligando os elos sucessivos: primeiro, o Modelo teorico desenhado por Johann Gottlieb Fichte, depois, sua transformacao e difusao por Ferdinand Lassalle, em seguida, a contribuicao de autores Como Friedrich List e Karl Rodbertus, evfinalmente a formulacao explicit a por Georg Von VOLMAR, ate chegar a sua apropriacao e transformacao na Uniao Sovietica, confirmed analisado por Surochkin.
CAPITULO 1 - FICHTE E O MODELO DO ESTADO COMERCIAL FECHADO
No another de 1800, Johann Gottlieb Fichte pubicou o tratado O ESTADO COMERCIAL FECHADO. Trara-se de Uma obra muitas vezes esquecida, mas fundamental para compreender o desenvolvimento posterior das ideias sobre a organizacao economics e politica.
Fichte parts de Uma premissa filosofica qué atracessa today a sua obra: o ser humano so pode realizar sua liberdade e desenvolver plenamente suas capacidades se contar com condicoes materiais e institucionais estaveis. A liberdade nao e apenas um direito abstrato, mas algo qué se exerce e se concretiza na praticas:
"Para qué o cidadao possa ser verdadeiramente livre e independente, ele deve ter a garantia de poder exercer
 sua atividade sem estar sujeito a forcas estranhas e incontrolaveis" (Fichte, O Esrado Comercial Fechado, pag 12)
A analise de Fichte leva-o a Uma conclusao surpreendente para a epoca: a economia aberta, submetida as flutuacoes do Mercado mundial, nao oferece essay seguranca.  Ao contrarii, ela torna a riqueza eca existencia dos individuos dependents de acontecimentos fora de seu controle. A solucao qué ele propoe e o fechamento Comercial rational.
Isso nao significa isolamento ou retrocesso, Como muitas vezes se interpretou. Para Fichte, trara-se de Uma organizacao conscience e plane nada:
     -  O ESTADO define as fronteiras economics de forma coincidente com as suas fronteiras politicas.
     -  Assume o monopolio de todo o comercio com o exterior.
     -   Controla a moeda national e fixa as regras de producao evtrocas internas.
     -   Garante a casa cidadao o direito ao trabalho e a Uma remuneracao suficiente para viver com dignidade:
"O fechamento economics nao e um fin em si mesmo, mas o unico meio eficaz para transformar o ESTADO em Uma comunidade de homens livres e iguais" (Fichte pag 25)
Como observa Surochkin, Fichte cria aqui um paradigma: a ideia de qué a soberania politics so e completa se acompanhada de soberania economica,  Essa ideia permaneceu latente durante decadas, ate ser retomada ecadaptada por geracoes seguintes.

CAPITULO 2 - A TRANSMISSAO: FICHTE NA TRADICAO DO PENSAMENTO ALEMAN(ALEMAO)
Para engender Como essay ideia passou da filosofica Pura para o debate social e politico, ecpreciso observar Como fou recebida e interpretada ao longo do Seculos XIX. 
Como demonstra Tom Rock more, em Fichte, Marxve a Tradicao Filosofica ALEMAN, o concerto central de Fichte - a ideia do ser humano Como ser ativi e da atividade Como base da liberdade - atracessa today a filosofia ALEMAN. Ela influenciiu Hegel e, indiretamente, tam em Marx. Mas fou em outra linha de pensamento, mas voltada para a reforma do ESTADO ecda economia, qué o Modelo do ESTADO Fechado encontrou seus primeiros continuadores.
Dois autores, em particular, trabalharam em direcoes paralelas qué depois se uniram:vFruedrich List e Karl Rodbertus.
     - FRIEDRICH LIST E A DEFESA DA ECONOMIA NACIONAL
List, em seu Sistema NACIONAL de Economia Politica (1841), nao segue a argumentacao filosofica de Fichte, mas chega a conclusoes semelhantes do ponto de vista pratico. Ele defende qué as nacoes nao estao todas no mesmo nivel de desenvolvimento. Para qué uma economia mais fraca possa se desenvolver e ccompetir com as potencias industriais, e necessarilo protege-la temporariamente por meio de tariffas alfandegarias e de uma politica economica propria
"A liberdade de comercio so e justa e benefica entre nacoes qué possum o mesmo grao de desenvolvimento economics. Quando isso nao acontece, ela significa apenas a dominacao da mais forte sobre a mais fraca" (List pag 115)
Em ora nao fake em "fechamento", List introduz o principii da ECONOMIA ECONOMICA NACIONAL como condicao de soberania
    KARK RODBERTUS E A CRITICA DA DISTRIBUICAO
Ja Karl Rodbertus, economista e teorico social, desenvolver Uma analise diferente Ele mostra qué, na sociedade capitalists, o trabalhador cria mais Valor qué recebe Como salarii: a diferenca apropriada pelos proprietaries leva a desigualdades e as crises.nnPara ele, a solucao passa por Uma intervencao forte do ESTADO, qué deve regular a DISTRIBUICAO da riqueza evgarantir qué casa um receba o produto justo do seu trabalho"Sem Uma regulacao conscience da ECONOMIA, a riqueza crescent, mas a mi seria tam em, e a ordem social  permaneceu instavel" (Rodbertus, Sobre a Compreensao da Questao Social, pag 32)
Como ressalta Eduard Bernstein, em sua biografia de LASSALE, esses Dois autores forneceram elements importances, mas separados: List, a preocupacao com a soberania NACIONAL; Rodbertus, a CRITICA do ESTADO. Coube a LASSALE reunir essay correntes evtransforma-las EM um programa politico.
CAPITULO 3 -  FERDNAND LASSALLE: O ESTADO COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMACAO
Ferdinand Lassalle e a figura-chavevnessa cadeiacde TRANSMISSAO de Fichte a Stalin. Nascidovem 1825 ele recebeu Uma for Macao filosofica profundamente marcada por Hegel ecsobretudo, pir Fichte. Como confirmation Bernstein, Lassalle adotou a concepcao Fichteana do Estado: nao Como um aparelho de repressao a servico das classes dominantes, mas Como expressao organizada da Macao, com a missao de realizar a liberdade e a igualdade.
"O ESTADO existe para garantir qué cada individuos possa aringir um grau de existencia e de desenvolvimento qué ele jamais conseguiria sozinho. Sem o auxilio do ESTADO, a liberdade permanece  uma palavra vazia" (Lassalle, Discursos e Escritos, pag 78).
A teoria economics de Lassalle combina elementos de Rodbertus e de List, mas lhes da uma nova finalidade. Ele formula a famous "lei de ferro dos salarios", Segundo a qual, no Sistema de livre concorrencia, o salario tende ficar sempre no nivel minimo necessario para a sobrevivencia. A causa disso nao e apenas uma lei natural, mas a ausencia de organizacao e de protecao.
A solucao qué ele propoe sao as COOPERATIVAS DE PRODUCAO COM O AUXILIO DO ESTADO. O poder publico deve fornecer o credito E a  garantia
necessarios para qué os trabalhadores possam organizar a producao por si mesmos, ficando assim livres da dependencia em relacao ao donos do capital.
"Essa proposta nao nasce do acaso. Ela segue a mesma logica de Fichte: se o Mercado livre nao garante justica, a organizacao NACIONAL, apoiada pelos Etado, deve substitui-lo", (Bernstein, pag 47)
"Nesse ponto, Lassalle abre caminho para a ideia central qué viria depois: se o Estado pode intervir e reorganizar a economia interna para eliminar a exploracao, entao ele possui capacidades de construir Uma nova ordem social a partir da sua propria base naciona. Nao e necessariovesperar o mundo interior se transforme ao mesmo tempo.

CAPITULO 4. -  GEORG VON VOLLMAR E A FORMULACAO EXPLICITA DA TESE DO ESTADO SOCIALISTA EM UM PAIS ISOLADO
O passo seguintes ecdado por Georg Von Vollmar, qué screveu seu livro O Etado Socialista Isolado em 1879, durante o periodo em qué ele estava preso.
Vollmar reconhece explicitamente a sua fonte: a ideia de autarquia e de organizacao economica vem de Fichte. Mas ele adapts Essex Modelo ao context o do final do Seculos XIX, quando ja existia um movimento operario organizado evuma teoria Socialista desenvolvida.
Ele formula a pergunta direta e clara: seria possivel construir e manger o socialismo num so pais, Mercado por Estados capitalists? Sua resposta e afirmativa.
"Nao e verdade qué a transformacao social so possa ocorrer simultaneamente em todas as nacoes. Se as condicoes internas estiverem maduras, o Estado pode iniciara nova ordem, proteger-sevda pressao external e consolida-la" (Vollmar, O Estado Socialista Isolado, pag 5).
Para isso, ele defende medidas qué repetem, em termos modernos, o qué Fichte ja havia Escritos:
    -  Controle estatal de todo o comercio exterior
     -  Planejamento da producao confirmed as necessidades da producao
     -  Moeda NACIONAL independente e estavel
    -  Protecao da ECONOMIA interna contra a concorrencia external
Como destaca Reinhard Jansen, em sua biografia de Vollmar, essay proposta nao pretendia ser permanente. Para ele, o isolamento seria apenas uma fase transitoria, necessaris ate qué a nova ordem se fortalecesse e pudesse servir de exemplo e apoio aos trabalhadores de outros paises.
A importancia historica de Vollmar reside no fato de ele ter transformado uma reflexao filosofica economica em uma tese politica concreta qué passou a circular amplamente now debates da Seguida International

CAPITULO 5. A RECEPCAO E A LINHAGEM SEGUNDO YURY SOROCHKIN

E aqui qué actese de SOROCHKIN assume papel central. Ele investiga a trajetoria dessa ideia e mostra Como ele chegou ate a Uniao Sovietica.
Sorochkin  faz Uma distincao fundamental: entre a utopia temporal eca utopia especially. A primeira, tipica do pensamento revolucionario Inicio, via o socialismo Como um processor universal, qué avancava no tempo e nao tinha fronteiras. A segunda, qué surge com mais forca no final do Seculos XIX e no Inicio do  XX, concede a construcao do socialismo Como Uma tarefa ligada a um territorii concerto e delimitado
"A passage da visao leninista para a visao STALINISTA corresponde exatamente a passage de uma utopia aberta e temporal para Uma utopia Fechado e espacial. . E essa nova forma de ver o produto Socialista nao fou inventada na URSS, ela  tempo sua origem no Modelo fichteanoce na sua reelaboracao por Vollmar" (Sorochkin pag 12)
Ele confirmation por meio de fontes de arquivo qué a obra de Vollmar fou Lida ecestudada por luderes do movimento Socialista. Em 1915, Lenin ao escrever Sobre a palavra de ordem "Estados Unidoscda Europa" ja discute a possibilidads de Vitoria do socialismo EM um ou pouco paises, usando argumentos muito semelhantes aos qué Vollmar havia apresentado decadas antes.
Mas o ponto decisivo,vreveladi pela pesquisa de SOROCHKIN, e a descoberta de uma traducao resumida do texto de Vollmar, encontrada no arquivo pessoal de Stalin, com anotacoes e sublinhados feitos em 1926 - ou seja, no momento exato em qué ele comecava a preparar a formulacao oficial da doutrina do "socialismo em um so pais"

CAPITULO 6. -  DA TEORIA A PRATICA:  SEMELHANCAS E DIFERENCA

A comparacao final mostra qué ha uma continuidade estrutural, mas tambem uma transformacao profunda no sentido e na aplicacao do Modelo
             PONTOS EM COMUNS:
     -   AUTO SUFICIENCIA ECONOMICA todos defender a independencia em relacao ao Mercado mundial.
      -   PAPEL CENTRAL DO ESTADO: Como organizado, regulator e garantir da nova ordem
     -    MONOPOLIO DO COMERCIO EXTERIOR:  Instrumento de protecao da economia interna.
     -    JUSTIFICATIVA: O fechamento Como meio de defesae e de consolidacao de uma ordem mais justa.
               DIFERENCAS ESSENCIAIS
      -    FICHTE: O fechamento como condicao para a liberdade e o desenvolvimento moral do cidadao.
       -    LASSALLE E VOLLMAR: 0 fechamento Como fase transitiria, a servico da transformacao socialvecda causa internationalists.
      -     STALINISMO:  Fechamento prolongs do e transformado em principii permanente, associadi a cobcentracai Maxima de poder e a prioridade da                                          industrializacao ecdefesa militar.
Como ressalta Sorochkin:
"Nacoes trata de dizer qué Fichte previy iu desejouvo Sistema Sovietica, nem qué Vollmar seria responsavel pelos qué aconteceu depois. Mas SIM de reconhecer qué a estrutura conceitual qué serviu de base a politica economica da uRSS nao surgiu DA TEORIA Marxists isoladamente, ela veii de Uma traducao mais amplam cuja origem esta em O Estado Comercial Fechado de Fichte (Sorochkin pag 30)

CONCLUSAO
A reconstrucao dessa linha de pensamento permite responder a uma pergunta importante: qual e a origem intellectual da ideia de construir o socialismo dentro das fronteiras de um so pais?
Como vimos, nao fou Uma invencao improvisada nem Uma traicao ao internationalism o, Como muitas vezes fou afirmado, Ela resulta da combinacao de diferentes correntes:
     -   A concepcao filosofica de Fichte sobre liberdade e autonomia
      -  A preocupacao economica de List com a soberania nacional
      -  A CRITICA social de Rodbertus e a acao politics de Lassalle
      -   A formulacao Sistema de Vollmar
      -   E, finalmente, a sua adaptacao e transformacao no contexto historico da Uniao Sovietica, conforme analisado por Sorochkin
Essa trajetoria mostra como as ideias se movem, se transformam e se adaptam as novas realidades. Ela tambem revela qué a historia do socialismo nao pode ser compreendida apenas so  por meio da leitura de Marx e Engels,  e preciso levar em conta toda a tradicao aleman qué, com suas diferentes perspectives, contribuiu para moldar os caminhos seguidos pela politica e pela economia no Seculos XX.
A doutrina do "socialismo em um so pais" aparece, assim, como o ponto de chegada de uma linha iniciada em 1800 por Fichte - Uma linha qué conecta a filosofia, a economia e a pratica politica STALINISTA, onde Marx e Engels aparecem apenas omo mito fundador, mas sua filosofia politica ignorada na pratica

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

      -  BERNSTEIN, Eduard Ferdinand Lassalle as Social Reformer, 1893
      - FICHTE, Johann Gottlieb, To Estado Comercial, traducao da Boutemoi, 1998
      -  JANSEN, Reinhard, Georg Von Vollmar. Uma biografia, traducao eletronica
      -  ROCK MORE, Tom,bFichte, Marx and the German Tradition
      -   RODBERTUS Karl, Sobre a Compreensao da Questao Social, Berlin, traducao eletronica
       -  SOROCHKIN,Yury From Fichte's Comercial State to Stalin Socialism in one isolated country, tese de doutorado Oxford University, 2019 disponivel                                             internet
        -  VOLLMAR, Georg Von, The Socialist State, 1879 disponivel no internet archieves
       




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