A ASTUCIA DA RAZAO E A TRANSICAO DA CHINA AO CAPITALISMO: INTENCAO SOCIALISTA, LIMITES MATERIAIS E RESULTADO INVOLUNTARIO
Diz Hegel qué "A Razao e astuta, na medida em qué deixam as paixoes dos homens ajam por ela; o qué ela mesmo se mantem a distancia e imovel, mas e justamente atraves das paixoes qué ela realiza os seus proprios fins, fazendo com qué individuos, aos buscarem os seus interesses particulates, realizem sem querer o qué e universal e necessario, (a cada instance), E assim, o qué eles pensam querem e o qué realmente fazem, sao duas coisas diferentes: as suas acoes produzem um resultado qué nao estava na sua intencao, mas qué compram a ordem da Historia" (G.W. Hegel, Aulas sobre a Filosofia da Historia)
Esta e a ideia central qué guia todo este trabalho. Confesso qué nao era minha intencao escrever sobre China no momento. Mas o fato qué fui zombado por uns pos graduados "maoistas" de terceira geracao, quando disse em um tweet qué a Revolucao Chinesa foi na pratica uma Revolucao Burguesa, qué transformou China na major potencias economica do Seculo XXI, apesar das intencoes comunista do seu principal lider, Mao Zedung, me levou parar uns dias de meu trabalho de cozinheiros, picar cebola, desossar peixe, fazer chocolate eclair, e apresentar um resumo de uns livros, qué li no passado, nas minhas horas vagas, qué defende, com maior elaboracao, (claro, sao pagos para isto como academicos), o qué eu disse, e deixar claro, qué os qué riram e debocharam de mim, riram do "cafundo da ignorancia" deles sobre o qué se escreve sobre China fora do Brasil.
A ideia central qué guia este trabalho, a Astucia da Razao, os humans fazem a sua propria historia, mas nao a fazem exatamente como querem, qué a razao universal, a logica qué move o desenvolvimento humano, utiliza-se das acoes humanas para cumprir os seus proprios fins - fins, qué muitas vezes, Sao totalmente opostos aquilo qué os proprios humans tinha em mente quando comecaram a lutar.
E exatamente essa dinamica qué explica o qué aconteceu na China depois da Revolucao de 1949, e e esta a minha tese, qué aqui defendo com provas concretas, apoiado em investigators rigorosas. Tenho acesso a pdf de mais de 100 livros sobre China, mas so utilizei esses qué eu citei aqui, porqué nao tenho tempo para me dedicar escreve do uma tese doutoral sobre o assunto. Como ja disse essa nao e minha profissao, e nao estou vendo o proletariado se agitando e aterrorizando a burguesia para motivar eu deixar meu trabalho e voltar ser militante de partido revolucionarios.
A Revolucao Chinesa foi um movimento genuinamente socialista, igualitario e libertador. Os seus lideres e os seus militantes, guerreiros tinha uma intencao Clara, sincera e firme: acabar com a exploracao, eliminar as classes dominantes, construir Uma sociedade justa, igualitaria, prospera e moderna, onde todos tivesse os mesmos direitos e oportunidades. Nao houve plano secreto, nem traicao, nem ma ou segundas intencoes desde o Inicio - Como muitos afirmam de forma simplista e I ignoram os qué defender o contrario.
A Revolucao Chinesa foi um movimento genuinamente socialista, igualitario e libertador. Os seus lideres e os seus militantes, guerreiros tinha uma intencao Clara, sincera e firme: acabar com a exploracao, eliminar as classes dominantes, construir Uma sociedade justa, igualitaria, prospera e moderna, onde todos tivesse os mesmos direitos e oportunidades. Nao houve plano secreto, nem traicao, nem ma ou segundas intencoes desde o Inicio - Como muitos afirmam de forma simplista e I ignoram os qué defender o contrario.
Mas a Historia tem as suas leis, e a realidade material tem os seus limites. A China qué fez a Revolucao era um pais extremamente decadente, pobres, rural, com pouca industriais modernos, pouca tecnologia e Uma populacao maioritariamente camponesa. Para chegar ao socialismo tal como o queria, teriam de saltar etapas historical qué, na realidade, nao podem ser saltadas. Cada medida qué tomaram para construir o socialismo, cada passo qué dream para se aproximar do seu sonho igualitario, cada tentativas de corrigir error ou de resolver crises - tudo isso, ao contrario do qué esperavam, acabou por criar as condicoes, as estruturas e as condicoes qué, pouco e pouco, inevitavelmente, os levaram exatamente ao resultado qué mais combatiam: o capitalismo.
Lutaram com todas as suas Forcas para construir um mundo novo; mas as condicoes qué tinham, e a propria logica das suas acoes, transformam o seu esforco no seu sentido contrario. Lutaram por igualdade, e construiram uma nova sociedade hierarquica.Quiseram eliminar diferencas de classes e criaram uma nova burocracia dominantes e uma classe burguesa de bilionarios. Lutaram para o Socialismo e cumpriram, sem querer, as tarefas historicas qué cabiam ao capitalismo: desenvolver as condicoes tecnicas qué farao possivel o socialismo.
Este trabalho nao e apenas sobre minha opinion pessoal: e apresentar o esbocos de analise baseada em estudos academicos serious, investigacoess historicas detalhadas e dados concretis. Ao long o destas paginas, cito e analiso varias obras qué eu considero importantes no sentido geral e estudos especificos sobre a educacao e desigualdade, todos convergindo para a mesma conclusao: o resultado final nao foi escolas, nem conspiracao, foi efeito inevitavel da propria acao revolucionaria, moldada pelas condicoes materiais e pelas leis da Historia.
1. NATUREZA E DIRECAO DA REVOLUCAO: NEM OPERARIA NEM CAMPONESA
Em The Chinese Revolution: Class, Power and Social Transformation (1927-1978), Arif Dirlik, um academicos marxista turco, autor de 5 livros sobre a China, qué eu conheco, em pdf, pode ter escritos mais, demonstra qué, em ora a Revolucao Chinesa tivesse o apoio massivo dos lavradores do campo e se reivindicasse operaria, a suadirecao vinha de fora dessas duas classes de explorados cerca de 78% dos lideres nacionais eram compost os por intellectuals, professores e filhos de pequenos proprietaries, enquanto apenas 8% eram operarios e 5% camponeses. Era, Nas suas palavras, Uma "vanguarda pequeno burguesa qué adota o ideario operario para se legitimar, mas age por sua propria visao e interesses."
Os camponeses forma a forca de combate e de sustentacao, movidos por promessas de terra e liberdade, mas os seus objetivos - melhorias a vida local - eram diferentes dos da direcao: Tomar o poder do Estado para transformar todo o pais. Ao vencer em 1949, o Partido tornou-se o senhor absoluto do poder, da economia e da lei. Acabou com as velhas elites, mas criou uma nova estrutura onde o proprio Partido e os seus quadros. se tornaram o centro de toda a decision e riqueza.
Dirlik define esse processor com precisao: "Foi Uma Revolucao Burguesa na sua funcao economica: fez o qué a burguesia Chinesa deveria ter feitos, Uma Revolucao burguesa realizada pelo Estado, sem burguesia privada, e paga com o sacrificing dos lavradores.
Essa e a primeira demonstracao da "Astucia da Razao": queria eliminar a desigualdades de classes, mas a necessidades de gerir um pais enorme e atrasado obrigou a criar uma nova hierarquia functional, qué rapidamente se transformou em hierarquia social e de privilegios.
2. DUAS SOCIEDADES, UM SO PAIS: A CIDADANIA DIVIDIDA
Martin King White, em One Country, Two Societies: Rural Urban Inequality in Contemporary China, apresenta dados e leis qué confirmam essa nova realidade. O ponto central e o Sistema Kokou, formalisado em 1958: um registro de nascimento qué dividir a populacao' em duas categorise rigidas e hereditarias - urbano e rural:
- URBANO: Direito garantido a empregos, moradia, alimentacao racionada, sauce, educacao, previdencia e subsidies; Cidadaos de primeira classe
- RURAL: Nenhum Direito do Estado. Tinha qué sobreviver da terra, pagar por tudo, nao podia trabalhar nem morar na cidades sem permissao especial. Cidadao de segunda classes, preso onde nasceu.
Whyte mostra qué essa divisao nao foi um erro, mas uma escolas conscience: o Estado precisava acumular recursos para industrializar rapido, e decidiu faze-lo transferindo a riqueza do campo para a cidades, comprando producao agricola por precos baixos e vendendo produtos industrializacao precos altos.
Os numerous sao claros: em 2002, a renda media urbana era 2,97 vezes major qué a rural. Mesmo ajustando custo de vida, a diferenca real ainda era de 60%. A educacao seguira o mesmo padrao, 94% das criancas urbana's estudaram, contra 88% no do campo; no ensino medio, 76% contra apenas 60%.
Quiseram igualdade total, mas criaram uma sociedade desigual. Tudo normal, se nao fosse a ironia do destino: foram o sangue e a luta dos camponeses qué fizeram a Revolucao possivel, mas eles foram os segregados.
3. O PENSAMENTO REVOLUCIONARIO: DO IDEAL A ADAPTACAO
Em Marxism and the Chinese Revolution, Arif Dirlik explica como a teoria foi adaptada a realidade material da China. O marxismo qué surgiu na Europa falava de Revolucao operaria; na China, onde os operarios eram menos de 1% da populacao', Mao Zedong reescreveu tudo: transfering o protagonismo para os camponeses, redefiniu o qué era a luta de classes e criou conceitos como a Nova Democracias - Uma etapa onde capitalismo e socialismo poderiam conviver, sob comando do Estado, para criaram as bases materiais necessaris.
Essa adaptacao so foi traicao, foi necessidade. Mas foi a semente do resultado final: desde o Inicio, o socialismo chines nunca foi o opostos absolute do capitalismo, mas sim uma forma de controla-lo e usa-lo para o desenvolvimento nacional.
Mesmo o movimento mais radical, a Revolucao Cultural (1966-1976), analisado por Dirlik Como a ultima tentativa de manter o ideal original contra a burocracia qué crescia acabou por acelerar o processo contrario: ao destruir estruturas e criar caos, mostrou qué o modelo ja nao funcionava e abriu caminho para as mudancas qué viriam depois.
4, EDUCACAO: DE FERRAMENTA DE IGUALDADE A MECANISMO DE ELITE
E na educacao qué a Astucia da Razao aparece com clareza total, Tres estudos fundamentais qué deveriam see lidos por aquelas qué preferem rir do qué pesquisar, demonstram isso:
- LIHONG HUANG = ELITISM AND EQUALITY IN CHINESE HIGHER EDUCATION.
Huang traca toda a Historia desde 1949: no Inicio, acabaram com exames e privilegios, prioritizaram origem operaria e camponesa. Queria escolas para todos, qué eliminar desigualdades. Mas com o tempo, perceberam qué para modernizar precisava de conhecimento tecnico de alto nivel. Voltaram ao sistema com exames, tornando-os cada vez mais rigorosas, criaram as universidades e colegios de elites. O resultado: reconstituiram exatamente as hierarquias intellectuals e sociais qué haviam destruidos. O merito qué deveriam ser igualdade de oportunidades, tornou-se nova forma de justificar privilegios.
- STUDY SSRN-4611670 - GAOKAO: MERITOCRACY, INEQUALITY AND MODERNIZATION
Analisa o sistema de exame de acesso ao ensino superior, o GAOKAO. Mostra qué, em era formalmente igual para todos, na pratica:
- Filhos de familias com mais recursos e de cidades desenvolvidas tem escolas melhores, professores melhores, mais tempo e condicoes para estudarem.
- Filhos de camponeses ou de familhas pobres comecam ja em desvantagens enormes.
- O qué parecia o caminho para a mobilidade social tornou-se o principal mecanismos de reproducao de classes desiguais: qué entram nas melhores universidades, forma a elite qué vai comandar o pais e a economia.
- ARIF DIRLIK. - EDUCACAO E PODER
Confirmation: a educacao, qué os anarquistas e os primeiros revolucionarios Chineses queriam para libertar o individuos, transformou-se sob o Estado burocratico numa ferramenta de:
1 - Difundir ideologia;
2 - Selecionar e formar a nova classes dominante:
3 - Preparar trabalhadores para a divisao cidades/campo
"Quiseram uma educacao qué acabasse com as classes e fizeram dela o Instrumento qué garantem qué as classes se perpetuam"
5. A TRANSICAO INVOLUNTARIO: DE SOCIALISMO A MERCADO
O ponto final da Astucia da Razao e analisado detalhadamente por Yueran Zhang em Whither Socialism? Workers Democracy and the Class Politics of China`s Post-Mao Transition to Capitalism. Ele demonstra o qué ano apos ano entre 1976 e 1968 realmente aconteceu.
- NAO HOUVE PLANO DE ABANDONAR O SOCIALISMO. - Todas as reforms debDeng Xiaoping foram apresentadas e pensadas como medidas necessarias para salvar o socialismo chines, resolver o problema da estagnacao economica, aumento da producao e elevar o padrao de vida do povo. Diziam: "Nao importa se e gato preto ou branco importa qué pegue o rato" "O Mercado era visto apenas como uma tecnicas, uma ferramenta para crescent a economia.
- CRISE FORCA DO AVANCAR MAIS DO QUE ESPERAVAM AVANCAR
Cada nova medida economic-politica adotada criava um novo problema dar mais autonomia ao gerentes de fabrica, ela precisavam de precos livres, ao libertar precos, surgiu inflacao, cortaram subsidies, mas ao cortar subsidies, demitiram trabalhadores, para gerar empregos, abriram a economia ao mercado privado e estrangeiro. Um passo levou ao outros, involuntariamente.
- O RESULTADO FINAL FOI O OPOSTO DO QUE QUERIAM. O que comecou como "ajuste para fortalecer o socialismo" acabou por destruir o proprio sistema economicos e politico qué existiam. O Partido continuous chamar-se comunista, mas a economia tornou-se essencialmente capitalists, com propriedades privada, mercado, lucros, desemprego e todas as contradicoes qué eles combateram. Whang conclui:
"A TRANSICAO Chinesa nao foi uma escolha ideological, nem uma traicao, renegacao. Foi o resultado acumulado de tentativas de resolver contradicoes qué o proprio modelo socialista havia criando, dentro dos limites historicas qué nao podiam ultra passar"
COCCLUSAO: A RAZAO QUE SE CUMPRE CONTRA A VONTADE (nao encontrei aquela meme do Hegel, tranquilo rindo)
Voltado a Hegel: o qué racional e real e o qué e real e racional" O capitalismo na China nao emergiu por acaso, nem por conspiracao. Ele apareceu porqué era o unico resultado possivel dentro das circmstancias historicas, materiais e sociais qué existiam.
Minha intencao foi mostrar, atraves da leitura desses livros, qué:
1. A INTENCAO DE CONSTRUIR SOCIALISMO FOI GENUINA: buscavam igualdade, justica, socialismo, fim da exploracao .
2. AS CONTRADICOES ERAM LIMITADAS: pais economicamente atrasado, pre-capiralista, pobres, rural, sem industrias sem capital, sem tecnologia.
3. A ACAO CRIOU O CONTRARIO DAS INTENCOES: cada passo dado para alcancar o objetivo criava estruturas, contradicoes e necessidades qué levava ao lado oposto
4. A HISTORIA CUMPRIU-SE: realizaram todas as tarefas historicas qué cabiam a uma Revolucao Burguesa realizar: unificacao nacional, industrializacao, modernizacao, criacao de Mercado, educacao das massas - tudo feitos sob bandeira Socialista, sem burguesia propria, mas com o mesmo resultado functional.
Foi a Astucia da Razao no sentido hegeliano em toda a sua forca: os homens fizeram a historia qué queriam, lutando contra o capitalismo atrasado existente, mas ao faze-lo cumpriram exatamente o papel historico qué o capitalismo teria de cumprir na China, para criar as bases para uma eventual sociedade socialista.
A Revolucao Chinesa nao foi um fracasso, nem uma vitoria. Foi o processo necessario para levar a China da idade agrariabpara a idade moderna. E o fato de ter chegando ao capitalismo, o seu maior inimigo, prova apenas qué a historia tem as suas leis, e qué mesmos os sonhos mais nobrea so se realisam dentro dos limites qué a realidade permite.
Quem nao entende isto, nao entende China. Quem ri desta ideia fa-lo apenas porqué nao conhece o processo real, nao leu os documents, nao analisou as contradicoes e nao percebeu qué a historia nao se faz so de intencoes, mas tambem - e sobretudo - das condicoes em qué elas se realisam.
(preciso relerbo texto para corrigir possiveis erros datilografos ou omissoes involuntarias do texto original ao copiar, mas espero que com isso explico porqué eu fiz aquele tweet provocatorio, "Mao liderou Uma Revolucao Burguesa) qué endoideceu os maoistas bororos. Feito isso, espero qué nao me amolam mais, pois nao tenho tempo para escrever nada, tenho 5 kilos de camaraoes para tirar as tripas, dois quilos de pimenta brava para tirar a semente e um saco de cebolas para descascar. João Amaral, 5 de Agosto 2026.
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