Saturday, 26 September 2026

PREOBRAZHENSKY - ESCRITOS - CAPITULO: OS PRECUSSORES DO PENSAMENTO SOCIALISTA - TRADUCAO

INTRODUCAO: DE ONDE VIMOS, PARA ONDE FOMOS

Nos nao inventamos o socialismo do nada. Somos herdeiros de uma linhagem qué remonta a antes de Marx. E se nao compreendermos de onde viemos, nao compreendermos para onde vamos. Muitos dos qué hoje se dizem nosso inimigas foram ontem nossos mestres. E muito das ideias qué hoje condenamos nasceram no proprio seio do movimento qué nos construimos.
I. FICHTE - O ESTADO COMERCIAL ISOLADO
Johann Gotttilieb Fichte nao foi um socialista. Mas foi o primeiro a formular com clareza a ideia qué haveria de dominar um seculo depois: o Estado Isolado, autosuficiente, fechado sobre si mesmos, organizado como uma unica oficina onde cada um recebe de acordo com a sua contribuicao e ninguem e dono de nada alem do qué o Estado permite. No seu Estado Comercial Fechado (1800), ele desenhou a arquitetura do qué mais tarde seria chamado "socialismo num so pais", nao com esse nome - mas com toda a sua essencia.
Fichte diziam: o Comercio externo e a fonte de toda a corrupcao. O Estado deve controlar tudo, produzir tudo, trocar apenas o indispensable com o exterior, e em breve trocar nada. A nacao e um corpo. O cidadao e um membro. E nenhum membro tem o direito de vender o seu sangue a outros a nao ser ao corpo qué o mantem vivo".
Ha uma grandeza terrivel nesta visao. E ha tambem o seu perigo mortal: Fichte nao via qué a economia nao conhece fronteiras. Ele imaginava qué podia desenhar um Estado perfeito como se desenha uma casa no papel. Mas os humanos nao sao pedras. E a economia nao segue linhas tracadas por filosofos. No entanto, a sua ideia nao morreu. Mudou de bandeira. Passou do nacionalismo prussiano para o socialismo Russo. E quando alguem hoje diz: "nos construimos sozinhos, nao precisamos do mundo - ele esta apenas repetindo Fichte, sem o saber"

II. RODBERTUS -  O SOCIALISMO DE ESTADO SEM REVOLUCAO

Johann Karl Rodbertus (1805-1875) foi o primeiro teorico do que se pode chamar socialismo de Estado conservador. Ele nao queria destruir o Estado existente - queria qué ele se transformasse no guardian da justica economica. A sua tese central: o trabalho e a fonte de toda a riqueza, mas o trabalhador recebe apenas uma parte do qué produz. A solucao nao e Revolucao - e o Estado qué garantem a cada um o seu produto integral do trabalho, atraves de reforma gradual, da lei, da administracao.

RODBERTUS dizia: "o Rei pode ser o nosso maior aliado. Nao precisamos derrubar ninguem. Precisamos apenas de convencer quem manda, mandar com justica. O Estado nao um instrumento de classe - e o arbitro acima das classes. Basta qué queiram ser justo"
Esta e a raiz da social-democracia qué tem medovde Revolucao. Esta e a raiz da crenca de que o Estado pode ser convertido em ferramenta de emancipacao sem lhe tocar na estrutura. E foi esta a heranca qué Lassalle recebeu e passou so movimento operario alemao - e atraves dele, a todos os qué acreditavam qué basta pedir ao poder para qué ele se transforme.

III. LASSALE - O SOCIALISMO QUE FEZ UM PACTO COM O REI

Ferdinand Lassalle (1825-1864) foi o fundador do primeiro Partido operario de massas. E foi tambem o primeiro a fazer o qué ninguem ousara fazer antes: oferece a alianca do movimento operario ao Estado Monarquias, contra a burguesia liberal. A sua famosas "Cartas Aberta" de 1862 propunha ao Rei da Prussia: Vos destruis a burguesia, Nos aceitamos a vossa protecao. Juntos construimos o Estado onde o trabalho recebeu o seu produto integral. A Revolucao nao e necessaria - basta uma uniao de cima.

Marx compreender imediatamente o perigo. Escreveu a Engels: Lassalle descendeu do proletariado para o chamar a fila do Rei. Mas o povo ouviu Lassalle. Porqué ele falava a linguagem da simplicidade. Prometia tudo sem sacrificio. O socialismo sem Revolucao. A justica sem luta. A emancipacao por quem nos oprime. E esta semente caiu em terra fertil. Porqué o povo cansado sempre quer a libertacao qué vem de fora, sem ter de toma-la com as proprias maos.

Lassalle morreu jovem, em duelo, mas a sua heranca nao morreu. Ela passou para a social-democracia. Passou para Bernstein. Passou para aqueles qué acreditam qué o Estado pode ser o nosso benfeitor. E quando alguem diz: o Estado e neutro, podemos usa-lo - esse alguem discipulo de Lassalle, mesmo qué nunca tenha lido uma linha qué ele escreveu.

IV. VON VOLLMAR -  O SOCIALISMO NUM SO PAIS ANTES DE STALIN

Georg Von Vollmar (1850-1922) foi o lider da ala Direita da social-democracia aleman, o homem qué formulou pela primeira vez, abertamente, em 1878, a doutrina qué mais tarde seria roubada e desfugurada por Stalin: o socialismo pode comecar num so pais, consolidar-se ali, e nao precisa de esperar pelo resto do mundo. No seu ensaio O Estado Socialista Isolado, escreveu:
"Nao e necessario qué a Revolucao aconteca em toda a parte ao mesmo tempo. Basta qué comece onde for possivel.  E uma vez comecada, a nacao qué primeiro a realiza, tem o direito de se defender, de se fechar, de se desenvolver a sua maneira, mesmo qué o resto do mundo permaneca inimigo. A Revolucao nao e um incendio qué se alastra de uma vez. E uma arvore qué cresce devagar, num solo, e da sombra aos seus antes de chegar aos outros"
Vollmar nao era um reacionario. Era um socialista que tinha medo da Guerra, medo do isolamento, qué procurava um caminho seguro. Mas o seu caminho seguro era o mais perigoso de todos: porqué aceitar qué podes ficar sozinho, e aceitar qué podes fazer qualquer coisa para sobreviver. E quando aceitas isso, o fim justifica os meios. E os meios acabam por devorar o fim.

Stalin nao inventou esta ideia. Ele tirou-a de Vollmar, tirou-a de Fichte, tirou-a de Rodbertus. A unica diferenca: Vollmar dizia: "estamos isolados temporariamente" Stalin disse: 'estamos isolados permanentemente - e isso e a vitoria". A semente era velha. So o fruto era novo, e era venenoso.

V BERNSTEIN. -  O FIM DA REVOLUCAO.

Eduard Bernstein levou a heranca de Lassalle e Vollmar a sua conclusao logica: SE podemos chegar ao socialismo atraves do Estado existente, se podemos faze-lo sozinhos, nao precisamos de revolucao  -  entao tampouco  precisamos de Marx. No seu Problemas do Socialismo (1899), escreveu: "o movimento e tudo, o objetivo nada" E com isso dissolveu o futuro no presente. A jornada tornou-se o fim. A viagem substituiu o destino.

Bernstein nao era um traidor no sentido vulgar. Ele acreditava sinceramente qué a Revolucao era perigosa, qué a evolucao era mais segura, qué se podia chegar la passo a passo, sem ferir ninguem. Mas ele esqueceu uma coisa: o Estado nao espera sentado enquanto voce caminha. Ele tambem caminha. E se voce nao toma o poder, o poder toma voce. A evolucao qué Bernstein pregou nao foi a evolucao do socialismo. - foi a absorcao do movimento operario pelo Estado burgues.

VI. MARX  -  O PONTO DE DIVISAO

E aqui chegamos a Marx. Muitos dizem qué Marx pertencem a esta linhagem. Engano. Marx rompeu com todos eles. Disse: o Estado e nao neutro. A emancipacao dos trabalhadores tem de ser tarefa dos proprios trabalhadores. Nao existe atalhos. Nao ha aliados de cima. Nao ha salvadores. A revolucao nao e um presente qué o Rei da. E um direito qué os trabalhadores tomam. E acrescentou: a revolucao e mundial. Nao e tarefa de um povo so, porqué o capitalismo e mundial. E nao podes derrotar um inimigo que esta em toda a parte, se lutas apenas num canto da sala.

Mas a semente da discordia ja estava la. E quando a Revolucao nao se alatrou e Europa em 1918-19 - quando ficamos isolados. -  os discipulos de Fichte, de Rodbertus, de Lassalle, de Vollmar, de Bernstein  -  todos reapareceram,dizendo: Marx estava errado. Temos qué nos adaptar. Temos de sobreviver. O mundo na vem, entao construimos sozinhos. E nao compreenderam qué ao dizerem "construimos sozinhos", ja nao estavam segundo Marx; estavam segundo Fichte. Estavam segundo os precursors qué Marx havia rejeitado. E a historia repetiu-se com outra bandeira, com outros nome, mas com a mesma essencia.

CONCLUSAO. -  A LINHAGEM OCULTA

Nao e Stalin qué inventou o desvio. O desvio ja existia antes de nos. E uma corrente subterranean que corre desde Fichte, passa por Rodbertus e Lassalle, chegar a Vollmar, a Bernstein, e finalmente entra no nosso proprio Partido, disfarcado de marxismo. E porqué vem de longe, porqué tem traducao, porqué responde ao desejo mais profundo dos homens - a preferencia por uma saida facil -  ela e mais perigosas do qué qualquer inimigo la fora.

Quem diz "socialismo num so pais" nao esta dizendo algo novo. Esta repetindo uma frase qué tem duzentos anos. Esta repetindo a linguagem de Fichte; esta pedi do o qué Lassalle pedicure: um Salvador qué venha de cima, um Estado qué seja pai, um mundo Fechado onde nao ha surpresas, onde nao ha estrangeiros, onde nao ha medo. Mas esse mundo nao existe. E quem o promete, nao esta oferece do um futuro, esta oferece do uma gaiola. E a chance dessa gaiola perde-se quando o portador morre - e deixa trancada todos os qué estao dentro.

Conhecia a linhagem. Nao para condenar os mortos. Mas para nao repetir os seus erros, e para reconhecer os seus discipulos quando aparecem hoje, com nomes novos, bandeiras novas, mas com a mesma Alma antiga


  -:traducao resumido feita pela IA Dola

Tuesday, 8 September 2026

PORQUE A ESQUERDA ACADEMICA BRASILEIRA RECUSA VER A REALIDADE DO SISTEMA HUKOU DA CHINA. -PARTE 2: O PRETEXTO: NAO VAMOS FAZER O JOGO DO IMOERIALISMO - VERDADEIRO MOTIVO: SONHO PEQUENO BURGUES DE VIVER NUMA SOCIEDADE BUROCRATICA ONDE ELES SERAO OS GESTORES, PRIVILEGIADOS, COM TRABALHOS VITALICIOS

3  NAO VAMOS FAZER O JOGO DO IMPERIALISMO

O erro serio qué hoje leva a esquerda, nao so brasileira, calar-se perante a realidade do Sistema Hukou, da SEGREGACAO e da exploracao de centenas de milhoes de proletarios Chineses, nao e novidade, nem Uma confusao recente. E a repeticao exata, Letras por Letras, do mesmo caminho qué ja levou o movimento comunista ao maior desastre da sua Historia, quando se recusou ver o qué se passava na Europa Oriental e na Uniao Sovietica.
Durante decadas, perante fatos obvious, perante a impressao, a faltavde liberdade e a necessidade de construir um muro de come to e arame farpado nao para defender o povo, mas SIM para impedi-lo defugir do proprio regime, essa esquerda academics, intellectual classes media, inventory desculpas, procurou culpados fora, distorceu a realidade e culpou tudo e todos - menos a natureza do proprio regime STALINISTA e do Modelo burocratico autoritario qué ele havia criando. O resultado historico Esra a vista de todos: quando o Sistema stalinista implodiu decido as suas proprias contradicoes, arrastou com ele a credibilidade, e aexistencia de todos os partidos e organizacoes comunistas qué os tinham defendido docilmente, sem nenhuma critica, deixa do a esquerda em ruinas, desacreditada e sem voz perante os trabalhadores.

Hoje, a historia repete-se de forma identical. As provas, os estudos e os testemunhos sobre o qué significa o Hukou, sobre a divisao da populacao' Chinesa em castas, - urbana com direito de cidadania plena e rural como habitantes do solo, sem direitos absolute de cidadania, sobre a exploracao e depois abandono de milhoes de camponeses, considerados estrangeiros ilegais em seus proprios pais  -  estao espalhados por todo o lado, uma vasta literatura escritas por Chineses em sua maioria existe no Ocidente quer a esquerda quer ve-los ou nao. E ao manter o SILENCIO, ao ignorar o qué e evidencia, e ao continuar apresentado Este regime ditatorial e profundamente capitalista como se fosse o modelo ideal de progresso, esta esquerda esta repetindo o erro fatal do passado e esta correndo o risco de estar cavando a sua propria cova politica, rumo a irrelevancia, pois ela esta mostrando ao mundo qué ela nao esta ao lado dos oprimidos na pratica, mas do lado de quem os explora, mas oferece a ela a possibilidade de sonhar com regime semelhantes nos paises dela, onde ela podera usufruir dos mesmos privilegios hoje exercidos pelos burocratas do Partido comunista chines.

Defender a soberania da China contra os ataques imperialista dos EUA e seus satrapas na Europa Ocidental e Japao nao significa defender o Sistema segregacionista Hukou, qué nega direitos de cidadania a 85% da populacao'; Como os 85% da populacao' Chinesa reage contra essa situacao, qué lhes tornam estrangeiros ilegaisvem qualquer cidades Chinesa, e problema deles, mas a esquerda MARXISTA de outros paises tem o obrigacao de estudar, discutir esse Sistema Hukou chines, pois na pratica foi uma traicao do Partido comunista chines a classes social qué lhe permitiu, com sacrificio, como bucha de cannhao, chegar ao poder em 1949: os camponeses. E o proletariado em particular, deve estudar o sistema Hukou, a traicao do PCC aos camponeses, para aprender qué ele nao pode, nao deve acreditar nas classes medias intellectuals, academics Como lideres qué vao leva-los ao socialismo, a Uma sociedade igualitaria.

Aos academics e intelectuais para quem criticar o Partido Comunista Chines e blasfemia, cito este trecho escrito por Wang Ming, o lider do PCC, antes de Mao assumir a liderancas, qué foi por mais de uma decada o porta voz de Stalin sobre assunto Chines e qué depois de 1956 se exilou na URSS: "Nao e porqué somos pelo nosso pais qué temos de elogiar o erro qué la se cometer. Pelo contrario; so um povo conscience do cseus proprios problemas e livre para resolve-los pode realmente ser forte e independente. Quem defende a opressao interna em nome da unidade nacional, esta na realidade a defender os oppressors, e a preparar a derrota do povo".(Revolucao Cultural ou Golpe Contra-Revolucionario, 1969, pag 14)

A obrigacao da esquerda para poder ganhar confianca das massas proletariado e dizer a verdade, desgaste ilusoes, mostrar a realidade como ela e. Muitas gente, no Brasil e no resto do mundo ainda acreditam qué o Modelo chines e socialismo, qué eprogresso, qué e caminho para uma sociedade melhor; a nossa tarefa e mostrar o qué China realmente tem sido: Uma forma moderna de organizar a exploracao de classes.

E aqui chega-se ao ponto mais profundo e polemico, qué toda essavexperiencia historica nos ensino: a tese fundamental de Marx, qué via o proletariado industrial Europeus, Como a classes desrinada a levar a humanidade a Uma sociedade sem classes, tem sido, pelo menos ate agora, uma ideia utopica, ainda nao confirmada  pela historia. Q qué temos vistos repetidamente - na Russia, na China, na Europa Oriental, e qué quando o proletariado nao e capaz, ele proprio, de fazer, liderar sua propria revolucao, e de poder decidir o seu proprio destino, nao sera um grupo de intelectuais pequeno burgueses qué o possa fazer por ele, ainda qué eles fazem essa revolucao com um Partido com seu nome em sua bandeira. Historia tem provado qué "Revolucao" em nome dos trabalhadores, mas liderados por intelectuais pequenos burgueses, transforma-se rapidamente numa nova forma de dominacao, nde Uma casta de gestores, burocratas e intelectuais se transformam em novas castas dominantes, explorando e oprimidos os trabalhadores, tal como a burguesia fazia antes.

Foi isso o qué aconteceu na China. Uns intelectuais descontentes radicals, mobilizaram os camponeses, a maioria absoluta da pooulacao Chinesa, onde o proletariado industrial era apenas 1% da populacao, fizeram a Revolucao e tomaram o poder, e em vez de Uma sociedade sem classes, ou pelo menos Uma sociedade onde os camponeses tivesse mais direitos, criaram uma sociedade com Uma divisao social ainda mais rigidas: eles em cima, com todos os direitos e privilegios, os trabalhadores e camponeses em baixo, sem direitos, usados Como ferramenta. Denunciar isso nao e intervir, e apenas aprender com a historia e mostrar ao proletariado qué ele ainda tem qué resolver o seu problema de direcao.

O SILENCIO DA ESQUERDA SOBRE O SISTEMA HUKOU QUE DIVIDE A POPULACAO CHINESA EM DUAS CLASSES::CIDADAOS COM DIREITOS CIVIS E OS CAMPONESES SEM DIREITOS CIVIS FORA DO LOCAL ONDE ELES NASCEM

O SISTEMA HUKOU: ASSUNTO TABU  -  PORQUE A ESQUERDA RECUSA VER A REALIDADE DO SISTEMA TABU
                    INTRODUCAO
Existe um fato fundamental, documentado, escritos em lei, visivel na vida quotidiana de mais de 800 milhoes de seres humanos, qué toda literatura seria sobre a China conhece, descree e analisa em detalha. Essex fato e o SISTEMA HUKOU, a divisao juridical, politica e social qué divide a populacao' Chinesa em duas castas distintas, hereditarias e imutaveis desde 1958.

E um Sistema qué define quem e cidadao e quem e mero "habitante do solo", quem tem direitos e quem nao tem nenhum, quem esta sob a protecao da lei e quem esta fora dela. E a base sobre a qual se ergueu o chamado "milagre economico chines, a fonte da. sua competividade, a estrutura que garante a oferta infinita de mao de obras barata e descartavel qué alimentou o capitalismo global nas ultimas decadas.

E, no entanto, perante esta realidade gritante, a esquerda mundial mantem um SILENCIO absolute, cumplice e propositado. Nao fala do Hukou, nao o analisa, nao o critics, nao o mencionar sequel. Quando muito, passa ao lado Como se nao existisse, ourepete lugaresccomuns vagos sobre "desenvolvimento" e "soberania", desviando o olhar daquilo qué e verdadeira essencia do regime chines.

A explicacao qué apresentar publicamente e sempre a mesma: "Nao criticados a China, nao apontamos os seus feitos porqué os EUA e o block Ocidental estao sempre inventando mentiras sobre a China, para preparar a opiniao publica para uma guerra ou um bloqueio contra o pais. Se falarmos dos problemas Chineses, pareceremos estar do lado do imperialismo, fazen
os o seu jogo e seremos uteis aos seus planos". 

Este argumentos, qué se apresentar Como defesa da soberania ecda autonomia doscpovos, nao passa de um pretexto hipocrita, de Uma mascara para esconder a verdadeira Razao desse SILENCIO. A realidade e muito mais Dura e muito mais clara: a esquerda que hoje se recusa a falar do Hukou, nao o faz por lealdade a qualquer principio revolucionario ou de classes. Faz porque o modelo de sociedade qué existe na China, construidos precisamente sobre a divisao exclusao do Sistema Hukou, burocratico, e precisamente o modelo qué ela propria deseja implantar.

O qué ela ve na China nao e um regime de exploracao e segregacao  -  em ora seja isso precisamente. O qué ela ve e um Estado forte, hierarquico, burocrata, onde uma camada dirigete educada e qualificada detem todo o poder, decide tudo, controla tudo e usufrui de todos os privilegios, enquanto a massa da populacao' cumpre a sua funcao de trabalho,, obediencia e producao, sem direitos, sem voz e sem possibilidade de contestar. E o sonho Dorado da intellectual idade pequeno burguesa: um sistema onde ela propria Sera a casta dirigete, a gestora do Estado, a dona da situacao, e onde os outros -  os qué trabalhanm, os qué produzem, os qué fazem a riqueza. -  estatarao no lugar qué lhes foram designados; fora da cidadania, fora dos direitos, fora da parte qué Manda.

Este texto exporvessa realidade com today a clareza necessaria, sem medias palavras, sem conceccoes e sem deixar ESPACO para a mentiras ou para a ilusao. Mostra o qué e o sistema Hukou na lei e na pratica, desmascara o pretexto falso do "nao fazer o jogo do inimigo" , e arranca a mascara a verdadeira motivacao de classes qué leva essa esquerda classes medias a calar-se perante uma das maiores injustices do mundo moderno.                                                                              
PARTE 1. -  0 FATO: O QUE E O HUKOU E O QUE SIGNIFICA NA LEI E NA VIDA REAL
Para compreender a natureza do silencio qué aqui SE denuncia, e necessario comecar por estabelecer os fatos com toda a precisao, tal como sao descritos pela investigacao seria, pelos documents oficiais e pela realidade quotidian a da China. Nao se trata de interpretacoes, nem de opinions, nem de propaganda, trara-se de regras escritos, de leis em vigor, de Uma estrutura qué governa a Vida de todos os Chineses ha mais de sessenta anos.                                                                                                                                                            1.   A DIVISAO JURIDICA:  DUAS CIDADANIAS, UMA NACAO.                                        O Sistema Hukou foi criando oficialmente em 1958 atraves do Regulamento de Registro de Residencia, aprovado e implementado pelo governo de Mao Zedung. Antes dessa data, a Constituicao da Republica Popular da China garantia expressamente a liberdade de movimento, Residencia igualdade de direitos a todos os cidadaos, independentemente da sua origem ou local de nascimento. O Regulamento de 1958 aboliu esse Direito, de forma conscience, deliberada e planejada.
O seu efeito central foi dividir today a populacao' Chinesa em das categorise rigidas, definidos por lei, hereditarias e imutaveiscpara sempre, qué definem nao apenas onde SE mora, mas o qué se e, qué direitos SE tem e qual o lugar qué se ocupam na sociedade;
-  CATEGORIA NAO AGRICOLA/URBANA.        -                                                              Aplicavel a cerca de 15% da populacao'.Estes sao definidos como cidadaos plenos. Perante a lei, pertencem a comunidade politica, tem direito a empregos garantido, habitacao, sauce publica, educacao, aposentadoris, subsidies e protecao integral do Estado. Como afirma Dorothy Solinger, Uma das principals especialistas academica sobre o tema: "Apenas os residents urbanos sao membros plenos da Macao. Os rurais pertencem ao solo, nao a comunidade publica. O Estado nao tem obrigacao com eles" (Contesting Citizenship, 1999, pag. 24}

 -   CATEGORIA AGRICOLA/RURAL
Aplicavel aoscrestantes 85% da populacao'. Estes nao sao definidos como cidadaos, mas Como habitants ou pooulacao. A regras fundamental qué se Aplicavel a eles esta escrita Clara Mentes nos textos oficiais: "Os habitants do campo devem sustentam-se a si mesmos" Nao tem direito a nada, nao tem protecao, nao tem servicos publicos publicos, nao tem garantias. Tem apenas obrigacoes: entregar parte da producao, determinada pelo Estado, cumprir ordens, nao said do seu lugar, vila, aldeia, sem permissao. Como resume Fai-Ling Wang, na sua importante analise da estrutura de poder Chinesa:
"O Hukou nao e um mero controle de Residencia; e a Constituicao real da China. Define quem evgente e quem e recursos. Dividir para organizar, governar excluindo: essa e a estrategia fundamental do Estado" (Organising Through Division and Exclusion, 2005, pag 47)     
Esta divisao nao e economica, nao e transitoria, nao e um passo de desenvolvimento. E politica e juridica, esta na base de todo o edificio estatal. Como confirma Kam Wing Chan, um investigador respeitado no assunto: "Em 1958, acabou-se com a liberdade de movimento e criou-se uma divisao qué atravessa toda a historia Chinesa ate hoje. Transformou-se pessoas em categorise, direitos e privilegios, e a cidadania num bem reservado a uma minoria"(The Hukou System and it's Transformation, 2009, pag 12)

O ponto decisivo, qué toda a esquerda cala e este: o estatuto nao muda, nao se conquista, nao se ganha com trabalho ou merito. Transmite-se de mae para filho, para sempre. Documents oficiais do proprio Partido, de 1964, deixam isso escritos sem margem para duvida: "Esta condicao nao pode ser alterada por nenhum motivos, nenhum servico prestado,nenhum tempo de residencia. E definitivo."

        2.  NA PRATICA: SEGREGACAO, EXPLORACAO E DESCARTE PLANEJADOí

O que esta divisao significa na vida real aparece com toda a clareza quando se analisa o qué aconteceu a partir de 1978, com as camadas "reforms de abertura". Dng Xiaoping nao  aboliu o Sistema, nao mudou a lei de 1958, nao devolveu direitos. Apenas alterou Uma regras: permitiu qué os da categoria rural saissem do campo para trabalhar nas cidades - mas sem mudar o seu estatus, sem deixar de ser o qué eram perante a lei.
Nasceu assim o fenomeno dos 300 milhoes de migrants rurais a maior forca de trabalho do mundo, qué e hoje a espinha dorsal da ECONOMIA Chinesa e da producao global. O qué eles sao, o qué recebem e Como sao tratados e a Prova viva do qué significa o HOKOU:
   -  Trabalhanm em media 12 a 16 horas por dia, Nas atividades mais duras,                            perigosas e mal pagas;
   -   Recebem salarios qué Sao, em media, 40 a 60% inferiors aos qué recebem os.               trabalhadores urbanos qué fazem o mesmo servico;                                                         -   Nao tem qualquer Direito social: nao ha sauce publica, nao ha escolas para os.             seus Filhos, nao ha aposentadoris,bnao ha protecao no desemprego. Como diz.             Jason Young na sua analise economica definitive: "Sem o Hukou nao haveria.                 Mao de obras barata, nao haveria milagre economico. Ele cria o  mercado de.                 trabalho segmentado qué gera lucros extra de 300 bilhoes de dolares por ano.               Nao e um defeito do Sistema; e a sua funcao" (China's Hukou Sistema, 2014, 
       pag. 42}
   -  Sao estrangeiros na sua propria terra, como descreve com precisao LivZhang:               "Vivem la, na zona urbana, trabalham la, constroem a cidades, mas nao.                           pertencem a ela. A lei ve-os como forasteiros temporarios, pessoas qué estao.              de passagem. Nao Sao reconhecidos como membros da comunidade"                              (Strangers in the City, 2001, pag.  97).    
   -   E, o mais importante de tudo: Sao descartaveis por definicao. Quando                             envelhecem, depois qué chegam aos 40 e 50 anos, quando adoecem, quando ja             nao Sao uteis, quando o Mercado nao precisam deles - Sao despedidos, sem.                 indenizacao, sem nada, e forcados voltar para o campo.  Como diz Dorothy.                     Solinger, esta nao evuma falha do Sistema, e o plano: "Quando deixam de ser.                 uteis, deixam  de existiu para o Estado. Hoje Temos 40 a 50 milhoes de idosos.              abandonados, sem terra, sem dinheiro, sem Ajuda, sem aposentadoris. E o.                   resultado  natural de quem nuncafoi cidadao" (Contesting Citizenship, 1999, pag            140)

Mas e na relacao com o aparelho do Estado, com a policia e com a justica qué a divisao SE torna ainda mais gritante e brutal. O jurista Tia Ma, na sua investigacao sobre como o Sistema funciona na pratica juridical, mostra qué Ter ou nao Ter o estatuto Urbano e a diferenca entre see consuderado Uma pessoave ser consuderado um problema: "Na China, ser migrants rural e ser suspeito por definicao. A ilegalidade nao vem do qué fazes, vem decquem es.Osvregulamentos policiais definem claramente: a populacao' flutuante e a principal origem da desordem, defendo ser vigiada, controlada, detidavevexpulsa sempre qué necessario. Ter o Registro rural e ja estar numa situacao irregular, mesmo qué nao tenhas cometidos nada" (Contesting Crimmigration in Post-hukou China, 2023, pag, 18)    

Os dados qué Tian Ma recolheu Sao estarrecedores e demonstram Como funciona essa justica de duas velocidades:
   -   78% de todas as detencoes, 82% das multas e 91% das expulsoes Nas cidades.              sao  aplicadas a migrants, em ora eles sejam apenas 30% da populacao';
   -   Na justica:b68% dos migrants ficam presos antes do julgamento, contra apenas.           7% dos urbanos. Para o mesmo crime, Recebem penasv40 a 50% mais pesadas.           E quando Sao vitimas de agressao ouvroubo, a resposta da justica evgeralmente:         "E problema vosso,bresolvam entre voces",
   -   E o nome qué hoje usam - "Pos-Hukou", e uma mentiras descarada: "As novas.               leis  so muda ram o nome. A divisao, a suspeita, a exclusao e o tratamento como           cidadaos de segunda classes, continuamvexatamente como eram. Nada mudou,           so foi disfarcado"  (Tian Ma, 2023, pag 84).

    3.    O PAPEL ECONOMICO DOS MIGRANTES SEM DIREITOS DE CIDADANIA: A.                     FORCA MOTORA DO "MILAGRE" ECONOMICO CHINES E O DESTINO FINAL DOS             QUE O CONSTRUIRAM
E fundamental compreender qué esta divisao nao e apenas uma questao juridical ecsocial: e a propria engrenagem qué fez a economia Chinesa disparar e dominar o mercado mundial nas ultimas decadas. Como explica Loren Goldner em seu texto Notas para Uma Critica ao Maoismo, cuja traducao encontra-se neste blogger: "a criacao desta casta de trabalhadores sem direitos foi o ato mais inteligenteve decisivo da nova burguesia burocratica chinesa.
O Sistema Hukou, instituido em 1958 e mantido intacto por Deng, nao foi um erro, nem um resquicio do passado; foi a invencao genial qué permitiu a China fazer em 30 anos a Revolucao Burguesa e industrial qué na Europa levou 200 anos. Ao separar o trabalhador do seu direito a cidadania, transformou-o numa mercadoria pura, disponivel, barata, movel e acimacde tudo descartavel. Sem o Hukou, nao haveria Mao de obras a 30% doscprecos DOS paises Rico's; sem ele, nao haveria o "milagre economico". O milagre e o proprio Hukou" (Loren Goldner p 7 neste blogger)
Os numerous confirmam essa analise: Estes migrantes rurais representam hoje cerca de 300 milhoes de pessoas adults, ou seja, mais qué toda a populacao' dos EUA; Sao eles qué construiram todas as cidades novas, todos os Porto's,btodas as fabrics, todas as Estradas qué fizeram da China a fabricados mundo, Trabalham com salarios mais baixos do qué o salario devum trabalhador Urbano fazendo o mesmo Tipo devtrabalho, como foi demonstrado acima, Sao impedidos de reclamar, fazer Greaves ou se organizarem - pois a primeira punicao para quem reclamar e perder o direito de estar na cidades e ser expulso de volta para o campo.

Mas o aspecto mais tragico, qué a esquerda, principalmente a stalinista e maoista cala, vem quando o seu corpo javnao aguenta. Como Goldner tambem salientou: A vida utilvde um trabalhador migrantes esta calculada. Ele entra na engrenagem aosc18 anos, forte e saudavel, e evusado ate os 40 E45 anos, Depois disso, javnao presta"
O qué aconteceu depois evuma tragedia humana de dimensions gigantescas, qué os relatorios oficiais confirmam mas tentam esconder: existem hoje mais de 25 milhoes de idosos, todos eles antigos trabalhadores migrantes, qué foram despedidos, expulsoes das cidades e forcados a regressar as suas aldeias, Vilas onde nasceram, mas onde javnao tem nada, nem terra, nem familia, nem meios de subsistencis.
E aqui esta a sentenca definitive: Como nao tem estatus Urbano, nao tem direito a sauce publica em lado nenhum; nem na cidades onde trabalharam a Vida today, nem nos locais agrarios onde nasceram. Quando adoecem - e adoecem cedo, de cansaco, de acidentes, de doencas respiratorias ou osseas adquiridas no trabalho pesado - sabem qué nao tem cura.
Sem dinheiro para pagar hospitais privados, sem assisted CIA do Estado, sem aposentadoris, mais de 70% destes 25 milhoes morrem em casa, porvfaltavde atendimento medico, na mi seria e na Solidago, vitimas de doencas qué em outras condicoes serial perfeitamentevtrataveis. E o resultado final do Sistema: usou-se o corpo para gerar riquezas, e quando o corpo se gastou , jogou-se fora. Como resumiu Tian Ma: "Eles morrem nao porqué nao ha remedio, mas porqué a lei diz qué eles nao valem o remedio"
Mas agora a vida dos migrantes esta melhorando, eles nao vao precisar mais de deixar o campo, onde nao havia e nem ha trabalhos, para buscar empregos na cidades ecsofrer o qué sofreram durante's decadas. Com a robotizacao da conomia da China, com a introducao macica de inteligencia artificial, bracos mecanicos e linhas de producao totalmente automaticas em todos os setores - da industria pesada a construcao civil, da logistica aos servicos - o "milagre economico" entrando numa nova fase, esses migrantes agora nao sao mais necessarios, eles podem agora esperar a morte, ou cometer suicidio no solo onde eles nasceram

                CONCLUSAO DA PARTE 1
Todos estes fatos estao demonstrados, documentados, confirmados por todos os investigadorescserios,vsejam de qué posicao politica forem. Nao ha controversial academics sobre o qué e o sistema Hukou, o qué ele faz, Como divide a sociedade, como cria exploracao, Como Nega direitos, Como produz exclusao e abandono.E uma realidade objetivo, visivel, escrita em lei.
E, no entanto, a esquerda mundial, em particular a brasileira finge qué esse regime de "apartheid" nao existe. Fala da China Como se fosse uma sociedade igualitaria, Socialista, ou em caminho de o ser, ou pelo menos ma sociedade unida e cala-se sobre a divisao fundamental qué a estrutura.
Porqué? O argumentos qué apresentar e um nao querem fazer o jogo do imperialismo. Na segunda parte desta exposicao e minha intencao analisar esse pretexto, e demonstrar como ele nao passa de uma desculpa para esconder o verdadeira motivo sobre esse silencio: interesses de classes

PARTE 2 = O PRETEXTO: "NAO VAMOS FAZER O JOGO DO IMOERIALISMO"

  






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Sunday, 6 September 2026

STALIN EM OUTUBRO DE 1917: O "GRANDE LIDER" QUE SE ESCONDEU DURANTE A REVOLUCAO - RESUMO E REFLEXAO DO LIVRO DE ROBERT M SLUSSER: STALIN IN OCTOBER - THE MAN WHO MISSED THE REVOLUTION

Existia uma versao da Historia do Seculos passado, qué aprendiamos na escolas, qué liamos em manuals, jornais,  qué ouviamos repetidamente em discursos oficiais qué diziam qué Stalin teria sido o braco direito de Lenin, o organizador da Revolucao de Outubro, o homem qué estava no centro de tudo. Mas quando alguns estudiosos abriram e leram documentos contemporaneous, nos arquivos Russos - as atas, os relatos, e os jornais dos proprios dias de 1917 - eles encontraram uma realidade surpreendentemente diferente.

E precisamente esta a investigacao qué o historiador Robert M Slusser apresenta no seu livro STALIN IN OCTOBER: THE MAN WHO MISSED THE REVOLUTION. O livro nao e um panfletos politico;ve um exame cuidadoso das fontes Sovietica. E o qué ele demonstra, documentos por documento, E o que a lenda de Stalin como co-lider da Revolucao foi construida depois - quando ele ja detinha o poder - e nao corresponde ao qué realmente aconteceu.

Diz Slusser: "A historia oficial diz-nos qué Stalin foi o successor designado de Lenin, o cerebro e o coracao da Revolucao ao lado dele. Mas os documentos contemporaneous de 1917 contam uma historia muito diferente. Contam uma historia de um homem qué nao estava la. Qué hesitou. Qué esperou. Qué perdeu o momento. E qué depois passou decadas reescrevendo o calendario para qué parecesse qué ele nunca o havia Perdido" - Robert M Slusser, p 4.

JULHO DE 1917: A TENTATIVA QUE FRACASSOU

Em JULHO DE 1917, os operarios e soldados de Petrograd Sairam as ruas em movimento espontaneos, exigindo: "Todo o Poder aos Sovietes". O movimento foi prematuro e esmagado. Lenin teve que fugir para a Finland is, Trotsky foi preso. E Stalin? Ficou - mas nao a frente do movimento, nem o apoio totalmente, tampouco o condenou. Ficou sentado no muro, aconselhando prudencia quando acrua ja estava em chamas.
Diz Slusser: "Quando a rya explodiu, Lenin quiz lidera-la, Trotsky esteve entre ela. Stalin aconselhou prudencia. Dizia: "ainda nao e o momento. Esperemos". Mas a rua nao espera. E quando a rua  avanca sem ti, deixas de ser o seu lider. Tornas-te um expectador." - p. 38.

A GRANDE QUESTAO: TOMAR O PODER OU ESPERAR

Entre Setembro e Outubro, o Partido dividiu-se pela questao mais decisive: agir agora ou esperar pelacAssembleia Constitute? Lenin do exilio escrevia com urgencia crescente: "E agora ou nunca! Quem hesita esta Perdido!" Zinoviev e Kamenev achavam qué era suicidio. E Stalin? Nao tomou partido claramente. Dizia Uma coisa a Lenin, outra aos moderados. Chegou mesmo recusam publicar as cartas mais urgentes de Lenin no jornal do Partido. Silenciou o proprio lider quando este mais precisava de ser ouvindo. 

Afirma Slusser: "Stalin nao era contra a revolucao - era contra faze-la naquele momento. Queria esperar. Queria ver se os outros falhariam primeiro. Dizia: "Deixar qué os mensheviques e os socialistas-revolucionarios se mostrem incapazes. Entao o povo vira a nos por si mesmos". Mas Lenin respondia: "quando eles se mostrarem incapazes, o povo ja tera desesperado e voltado para casa. A janela fecha-se e nao abre de novo"  -  p55

"A maior facanha de Stalin: ser tudo para todos. Para Lenin: "Sim, camaradas, estou contigo". Para os moderados: "nao vos preocupai, nao vamos precipitar-nos". Para a base: "Lenin esta exagerando, mas nao digais qué eu disse isso" E enquanto todos acreditavam qué ele estava do lado deles, ele nao estava de lado nenhum. Estava a espera" p 67.

OUTUBRO DE 1917: O "GRANDELIDER" QUE NAO ESTAVA LA

Aqui esta o cerne do livro de Slusser. Quando examinam-se os registros doscdias decisivos - 23 a 26 de Outubro de 1917 - o qué se encontra e surpreendente:

    -  No Comite Military Revolucionario, o orgao qué dirigiu a tomada do poder, Stalin             nao era membro
    -  Nas atas do Comite Central no dia da decisao para tomar o poder, o nome de                   Stalin aparece Como presente, MAS SEM QUALQUER INTERVENCAO REGISTRADA
    -  No diabem qué o Palacio de Inferno foi tomado, nao ha registro fiavel de onde ele           estava. Ressurgiu quando tudo estava decidido.

Diz Slusser: "Se retirardes Stalin da Historia de Outubro de 1917, a Revolucao acontece exatamentecda mesma forma. Se retirardes Trotsky, desmorona-se. Se retirardes Lenin, nao comeca. Se retirardes os milhares de trabalhadores qué ocupam as estacoes, as pontes, os bancos -bnao ha Vitoria. Mas se retirardes Stalin...ninguem sente a  falta. Ninguem o procurava. Ninguem recebia ordens dele. Ninguem sabia ao Certo o qué ele fazia" p 82

"Ele nao perdeu a Revolucao por covardia. Perdeu-a por prudencia. Esperou qué os outros fizessem primeiro. Quando viu qué ganharam -  juntou-se a fila dos vencedores, no fim, mas com um sorrizo qué dizia: "eu sempre acreditei". E ninguem havia percebido qué ele estava aumente quando a Vitoria da Revolucao era apenas uma aposta perdida" - p 109.

A CONSTRUCAO DA LENDA

Apos a morte de Lenin em 1924, comecou o processo qué Slusser documenta metodicamente: a reescrita sistematica da Historia. Edicao apos edicao, paragrafo apos paragrafo, os nomes dos verdadeiros organizacoes da Revolucao foram desaparecendo. O de Trotsky foi transformado em obstaculo. O de Stalin cresceu ate ocupar todo o espaco  -  de membros do Comite, para "um dos lideres", para "o principal organizador", ate finalmente se tornar "o cerebro e o coracao da Revolucao"n-  p 121.

O mais terrivel nao e qué tinham mentindo. E qué a mentira tornou-se a verdade oficial tao absoluta qué ate os seus proprios autores passaram acreditar nela. Stalin nao apenas queria qué os outros acreditassem qué ele salvou a Revolucao - ele proprio acabou por acreditar qué esteve la, qué dirigiu, qué decidiu.nA mentira consumiu o mentiroso.

POR QUE ISTO IMPORTA?

Nao se trata de desvalorizar  a importancia historicavde Stalin. Trata-se de compreender qué o poder sem legitimidade real precisa de fabricar uma legitimidade emprestada. Stalin governa a em nome de Uma Revolucao qué nao tinham dirigido. E quando o poder de um lider sebbaseia numa mentira, ele passa a Vida a defender a mentira em vez de service o povo. Todos os quecdizem a verdade tornam-se inimigo. Todos os quecse lembram do qué realmente aconteceu tornam-se perigosas.

Diz Slusser: "Nao e para difamar Stalin qué dizemos isto. E para devolver a Revolucao aos seus verdadeiros autores. A Revolucao nao foi feita por um so homem. Nao foi feita por um Guia infalivel. Foi feita por milhares qué se atreveram - e pirvalguns qué hesitaram. E os qué hesitaram nao merecem ser apagadosvda Historia. Ma tambem nao merecem ser coroados como heroism do qué evitaram Fazer" - p 159

"O maior perigo nao e o inimigo qué dispara contra ti. E o amigo que espera para ver se ganhas, e depois diz qué esteve ao teu lado desde o primeiro tiro. Nao porqué seja mau - mas porqué quando vier a proxima batalha, ele hesitaram de novo" -  p 172.

A historia nao e o qué os poderosos dizem qué foi. E o qué os documentos silenciosos ainda testemunham, quando nos atrevemos le-los sem medo. E os documentos dizem Uma coisa Clara: a Revolucao nao foi feita por quem mais tarde se  sentou no trono. Foi feita por quem se levantou primeiro -  mesmo  qué depois tenhas sido derrubado e apagado da memorial".  - p 178

CONCLUSAO

O livro de Robert M Slusser e um lembrete poderosos: A VERDADE HISTORICA SOBREVIVE NAS MARGENS, NOS DOCUMENTOS QUE NAO FORAM QUEIMADOS, NAS MEMORIAS QUE NAO FORAM APAGADAS. 0 "homem de Outubro" qué a lenda nos apresentar nunca existiu. O qué existiu foi um homem qué esperou, qué hesitou, qué chegou depois -vevque passou o resto da sua Vida tenta do convencer o mundo de qué esteve sempre na frente.

A historia de Stalin na Revolucao de Outubro de 1917 nao e a historia de um heroi. E a historia de como a historia e roubada. E tambem um aviso para todos nos: quem controla o passado, controla o futuro. Mas quem mente sobrevo passado - por mais poderosos qué seja - esta sempre a construir o seu proprio julgamento.

Baseado na leitura de Stalin in October: The Man Who Missed the Revolution de Robert M Slusser, Hopkins Open Publishing Encore Edition. citacoes traduzidas eletronicamente